O diretor da Federarroz, Anderson Belloli, fez um alerta contundente sobre a situação do agronegócio gaúcho durante entrevista concedida neste sábado (25) ao programa Conexão Rural. Na avaliação do advogado, o setor enfrenta um dos momentos mais delicados dos últimos anos, marcado por alto endividamento, crédito caro e queda na produtividade.

Segundo Belloli, os produtores não devem depender exclusivamente de ações governamentais para enfrentar a crise:
“O produtor precisa buscar alternativas e não esperar soluções do governo. Muitas vezes, quem mais precisa sequer consegue acessar as linhas de crédito disponíveis”, afirmou.
Ele destacou que o custo financeiro elevado — com juros que chegam a 20% ao ano — tem agravado a situação no campo. Além disso, a combinação de preços baixos das commodities, como o arroz, e produtividade abaixo do esperado tem pressionado ainda mais a rentabilidade das propriedades, especialmente no Rio Grande do Sul.
Outro ponto de preocupação levantado por Belloli é o aumento de golpes digitais e da disseminação de orientações equivocadas nas redes sociais. De acordo com ele, produtores têm sido induzidos a tomar decisões judiciais precipitadas, o que pode agravar ainda mais a situação financeira:
“Há promessas de soluções rápidas, mas muitas vezes isso resulta em execução bancária, bloqueio de contas e até penhora de bens”, alertou.
Liminar impacta projeto da CMPC
Durante a entrevista, Belloli também comentou a decisão liminar do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), que suspendeu uma recomendação do Ministério Público Federal (MPF) para adiar o licenciamento ambiental do Projeto Natureza, da CMPC, em Barra do Ribeiro.
Na prática, a medida permite a continuidade do processo de licenciamento ambiental, considerado estratégico por envolver um investimento milionário no Estado. No entanto, Belloli ressalta que a decisão não garante a aprovação final do projeto.
O advogado explicou que recomendações do Ministério Público não são obrigatórias, mas seu descumprimento pode resultar em ações civis públicas capazes de travar empreendimentos por anos. “O ideal é buscar o diálogo e soluções consensuais para evitar disputas judiciais prolongadas, que acabam prejudicando toda a cadeia produtiva”, avaliou.
Orientação aos produtores
Ao final, Belloli reforçou a importância de planejamento e busca por orientação qualificada neste momento de incertezas. “O produtor precisa agir com antecedência, procurar entidades sérias e profissionais capacitados para enfrentar esse cenário difícil”, concluiu.



