A Coordenadora de Gênero e Raça do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Juliana Brandão, participou de entrevista na manhã desta segunda-feira (03) para comentar os principais dados apresentados pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025. Durante a conversa, ela destacou o aumento da violência contra as mulheres, a vulnerabilidade de crianças e adolescentes em crimes sexuais e o crescimento dos estelionatos praticados por meio digital.

Segundo Juliana, um dos indicadores que mais preocupam é o avanço dos feminicídios no país. Conforme os dados do anuário, 1.571 mulheres foram vítimas desse tipo de crime em 2025, mantendo uma tendência de crescimento observada há mais de uma década. A coordenadora ressaltou que, enquanto outros indicadores de mortes violentas apresentam redução, os feminicídios seguem aumentando de forma constante.
Outro ponto destacado foi a violência sexual contra crianças e adolescentes. O levantamento contabilizou 84.388 vítimas de estupro e estupro de vulnerável no país. Juliana observou que a maioria dos casos envolve menores de 14 anos e que os autores geralmente pertencem ao círculo de convivência das vítimas, como familiares ou pessoas próximas. Ela também alertou para a grande subnotificação desse tipo de crime, o que indica que os números reais podem ser ainda maiores.
A especialista chamou atenção ainda para o crescimento dos crimes patrimoniais praticados por meio da internet, especialmente os estelionatos. De acordo com ela, a expansão das redes sociais e das ferramentas digitais criou novas oportunidades para criminosos aplicarem golpes, utilizando informações pessoais obtidas de forma ilícita para enganar vítimas e causar prejuízos financeiros.
“O crime mudou de perfil e passou a explorar a comunicação digital e as novas tecnologias. Muitas vezes, basta um clique para que a vítima tenha seus dados pessoais ou suas economias comprometidas”, destacou Juliana durante a entrevista.
A coordenadora também defendeu a necessidade de maior regulamentação dos ambientes digitais e de políticas públicas voltadas à prevenção da criminalidade. Para ela, o combate à violência não pode estar baseado apenas em medidas repressivas, mas também em investimentos em educação, geração de renda, cidadania e fortalecimento dos direitos da população.
Ao analisar os dados do anuário, Juliana afirmou que os indicadores servem como um guia para a formulação de políticas públicas e reforçam a importância de estratégias preventivas para enfrentar os desafios da segurança pública no Brasil.




