O número de pessoas que buscam tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS) por causa do vício em jogos eletrônicos e apostas online disparou no Brasil. Dados oficiais do Ministério da Saúde revelam que os atendimentos saltaram de 305 casos, em 2018, para 5,3 mil registros no ano passado. O avanço coincide com a popularização das chamadas “bets” e reflete um grave problema social que sobrecarrega a rede pública de saúde mental.

Sobre o risco das apostas online em excesso
O acesso facilitado pelos telefones celulares e a propaganda massiva das apostas online agravaram o cenário de endividamento e transtornos psíquicos entre os usuários. Médicos e especialistas relatam que a dependência tem provocado crises financeiras severas e o rompimento de vínculos familiares. Em casos extremos, a compulsão por apostas resulta em perdas de patrimônio para agiotas, demissões voluntárias e tentativas de suicídio.
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A medicina classifica a dependência em jogos como ludopatia, um transtorno mental caracterizado pela perda de controle sobre a atividade, mesmo diante de prejuízos severos. De acordo com os psiquiatras, o mecanismo cerebral desse vício é semelhante ao da dependência química, pois estimula de forma artificial o sistema de recompensa do cérebro. Pacientes costumam relatar que usam o jogo para aliviar a ansiedade e tentar recuperar o dinheiro perdido.
Como resposta à crise, o governo federal lançou um serviço gratuito de teleatendimento por meio do aplicativo Meu SUS Digital, em parceria com o Hospital Sírio-Libanês. O programa oferece consultas em vídeo e suporte para familiares de jogadores compulsivos. Além disso, o Ministério da Fazenda disponibilizou uma ferramenta de autoexclusão, que permite ao cidadão bloquear o próprio CPF para impedir o acesso a sites de apostas.
As apostas esportivas foram autorizadas no País em 2018, mas a regulamentação definitiva ocorreu apenas com a Lei nº 14.790, no fim de 2023. O debate sobre a fiscalização do setor ganhou força no Congresso Nacional após investigações apontarem táticas comerciais agressivas, comparadas às da antiga indústria do tabaco. Atualmente, o tratamento especializado para a ludopatia pode ser buscado diretamente nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps).




