arborização urbana

Camaquã enfrenta desafio de manter índice elevado de arborização urbana

Arborização urbana é fundamental contra ilhas de calor que se formam nas cidades, mas demanda por cortes vem crescendo em Camaquã

Todo mundo gosta de sombra no verão, mas nem todo mundo colabora com a arborização urbana. O tema é reforçado por dados do Censo 2022 do IBGE e pelo lançamento do Plano Nacional de Arborização Urbana (PlaNAU). Em Camaquã, a gestão municipal afirma que o município avança na manutenção das árvores e prepara uma política específica para o setor. A reportagem da Rádio Acústica FM ouviu responsáveis pelo setor e mediu a diferença de temperatura em áreas com e sem sombra.

Camaquã enfrenta desafio de manter índice elevado de arborização urbana enquanto cresce a demanda por remoções. Foto: Alice Campos/Rádio Acústica FM.
Camaquã enfrenta desafio de manter índice elevado de arborização urbana enquanto cresce a demanda por remoções. Foto: Alice Campos/Rádio Acústica FM.

De acordo com o Censo 2022, 12,8% dos moradores de Camaquã vivem em setores sem árvores. Outros 22,2% têm uma ou duas árvores no entorno das residências, 21,8% convivem com três ou quatro, e 43,2% vivem próximos de cinco ou mais. Somando os dois últimos grupos, 65% dos moradores estão em áreas com três ou mais árvores, patamar que o Brasil pretende atingir com o PlaNAU.

No Brasil, 33,1% dos domicílios ficam em setores sem árvores e 45,5% em áreas com três ou mais.

PlaNAU quer ampliar cobertura vegetal nas cidades

Lançado pelo Ministério do Meio Ambiente durante a COP30, em Belém, o PlaNAU é o primeiro plano federal dedicado exclusivamente à arborização urbana. O documento reúne 93 ações e prevê revisões a cada cinco anos.

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Entre os objetivos:

  • elevar de 45,5% para 65% o número de moradores vivendo perto de pelo menos três árvores;
  • expandir em 360 mil hectares a área verde urbana até 2045;
  • garantir que todos os estados e municípios tenham instrumentos de planejamento para arborização.

O Ministério ressalta o uso de espécies nativas e a substituição gradual das exóticas para fortalecer a biodiversidade e reduzir ilhas de calor. Segundo o secretário nacional Adalberto Maluf, o plano busca justiça climática ao priorizar áreas mais vulneráveis.

Regras para plantio e podas em Camaquã

Caren Strossi, responsável pelo setor de arborização urbana da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMMA), afirma que qualquer morador pode plantar árvores na área urbana, desde que respeite regras técnicas. A principal orientação é evitar espécies de grande porte em calçadas, devido ao risco de danos a muros, casas, redes elétricas e tubulações. Além disso, a preferência deve ser para espécies nativas.

Exemplos de espécies indicadas:

  • quaresmeira, pata-de-vaca, ipê-amarelo, pitangueira, cerejeira e araçá.

Podas autorizadas pela secretaria

As podas devem ocorrer preferencialmente entre maio e agosto. A SMMA desencoraja podas drásticas e exige autorização quando se trata de espécie nativa. No pátio, a poda é feita pelo morador; na calçada, é executada pela equipe municipal.

Caren afirma que Camaquã está “dentro do esperado” para o porte do município, mas reconhece que a cidade poderia ter mais árvores. A região central, por ter comércio e prédios, é a menos arborizada. A secretaria também registra aumento nos pedidos de abate. Há casos de remoção irregular motivada por incômodo com folhas ou presença de aves e insetos, o que leva à aplicação de multas.

Gestão municipal pede colaboração da comunidade

Camaquã elabora seu Plano Municipal de Arborização Urbana, exigência legal para municípios brasileiros. A cidade já possui lei específica para o tema, mas prepara um documento mais amplo, conforme as novas diretrizes federais.

O secretário municipal de Meio Ambiente, Maicon Nava, afirma que a prefeitura mantém o plantio e a reposição de árvores, mas depende do cuidado dos moradores. Há casos de mudas quebradas ou removidas pouco tempo após o plantio.

Segundo o secretário, praças e calçadas mais antigas podem precisar de substituição gradual de árvores para garantir segurança e continuidade da cobertura vegetal.

Diferença de temperatura chega a 28 graus na cidade

A reportagem mediu a temperatura em diferentes pontos de Camaquã no dia 18 de novembro de 2025, usando termômetro infravermelho. Os dados mostram redução superior a 28°C entre áreas expostas ao sol e sombreadas por árvores.

Reportagem mediu a temperatura em diferentes pontos de Camaquã no dia 18 de novembro de 2025, usando termômetro infravermelho. Foto: Alice Campos/Rádio Acústica FM.

Centro da cidade

  • Faixa de pedestres da Esquina Democrática, na avenida Olavo Moraes: 50,3°C.
  • Calçada da Praça Donário Lopes:
    • 39,3°C no sol;
    • 25,1°C na sombra das árvores.

Prainha (Complexo Poliesportivo Ruy de Castro Netto)

  • 40,5°C no sol;
  • 22,2°C na sombra, ao lado da mata nativa.

O contexto atual é um convite para ir além da reflexão. São cada vez mais importantes ações voltadas para o controle das mudanças climáticas e mitigação das ilhas de calor nas cidades.

Reportagem em vídeo está disponível no canal da Rádio Acústica FM no YouTube