A safra de arroz 2025/2026 no Rio Grande do Sul entra na fase final com números expressivos no campo, mas sob forte pressão econômica. Embora a produtividade se mantenha elevada, o setor enfrenta um cenário de preços de venda inferiores aos custos de produção. Esse desequilíbrio é agravado pelo grande volume de produto guardado de colheitas anteriores, o que satura a oferta no mercado.

Colheita e produtividade de arroz
Até o momento, os produtores gaúchos colheram 68,8% da área total, o que corresponde a 614,4 mil hectares. De acordo com o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), o ritmo é um pouco mais lento que o do ciclo passado. A expectativa é que a produtividade média supere os 8,7 mil quilos por hectare, resultando em uma produção total de até 7,8 milhões de toneladas.
Riscos climáticos e perdas
Apesar do otimismo inicial, chuvas excessivas no Sul do Estado podem prejudicar o rendimento das áreas que ainda restam ser colhidas. O presidente do Irga, Alexandre Velho, alerta que os 32% restantes da safra devem apresentar uma queda na produtividade em todas as regiões arrozeiras. O analista Evandro Silva confirma que, embora a qualidade seja excelente, perdas pontuais são esperadas na reta final.
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O impasse do mercado
O nó do setor está na comercialização. Enquanto produzir uma saca de arroz custa entre R$ 75 e R$ 90, o mercado paga apenas entre R$ 60 e R$ 70. Diante do prejuízo, muitos agricultores seguram o grão à espera de valorização. Contudo, especialistas alertam que essa estratégia é arriscada, pois o primeiro semestre é o período mais favorável para negociar o produto no mercado externo.
Exportações em ritmo lento
A venda de arroz para o exterior travou em março. Após um início de ano aquecido, os contratos pararam, refletindo uma oferta global maior que a demanda, especialmente na Ásia. No segundo semestre, a concorrência deve aumentar com a entrada da safra dos Estados Unidos. A única esperança é a redução de área plantada em solo americano, o que pode elevar os preços internacionais.
Falta de apoio federal
No cenário interno, o setor reclama da demora na execução de políticas de apoio, como os leilões de escoamento de produção (PEP e Pepro). Esses mecanismos servem para garantir um preço mínimo ao produtor e incentivar o transporte do grão para outras regiões. O governo autorizou as medidas, mas ainda não liberou o orçamento necessário para que os editais sejam publicados e o dinheiro chegue ao campo.




