saúde

Asma brônquica: tratamento contínuo é a chave para evitar emergências

O pneumologista Dr. Marcelo Mallmann esclarece as diferenças entre asma e bronquite crônica e por que a falta de tratamento preventivo na juventude pode causar danos irreversíveis ao pulmão

Nesta sexta-feira (08), o programa Primeira Hora recebeu o pneumologista Dr. Marcelo Mallmann que comentou sobre os desafios e cuidados essenciais no manejo da asma brônquica. Em alusão ao Dia Mundial da Asma, o especialista destacou que a doença, muitas vezes negligenciada, afeta entre 6% e 7% da população mundial, assemelhando-se aos índices de diabetes.

Asma brônquica: especialista reforça que tratamento contínuo é a chave para evitar emergências
Foto: Alice Campos

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A base do tratamento

O alicerce para o controle da asma, segundo o médico, reside no uso de anti-inflamatórios esteroides, e não apenas no alívio imediato dos sintomas. Dr. Marcelo alertou que o uso excessivo de “bombinhas” de alívio é um sinal de alerta: “Se um asmático usa o broncodilatador mais do que duas vezes por semana, ele entra na categoria de não compensado, ou seja, a asma está descompensada”. Ele reforçou que o tratamento de manutenção, que custa em média entre R$ 90,00 e R$ 110,00 mensais, é um investimento na qualidade de vida, pois evita internações hospitalares e a exposição a outros vírus em ambientes de emergência.

Riscos do remodelamento pulmonar

Como a plenitude pulmonar ocorre por volta dos 23 anos, a negligência terapêutica pode causar danos permanentes na estrutura do órgão. “Se não tratarmos a inflamação da asma nessas duas décadas, pode ocorrer um remodelamento brônquico. O brônquio se remodela e o paciente pode deixar de ter uma doença reversível para ter uma doença irreversível no futuro”, explicou o pneumologista, evidenciando que o cuidado precoce impede que a asma se torne uma condição crônica muito mais grave.

Fatores desencadeantes

Por fim, o especialista comentou sobre os períodos do ano que exigem maior atenção dos pacientes, apontando o inverno como a estação de maior descompensação devido ao confinamento e ao uso de lareiras. No entanto, a primavera também oferece riscos significativos por conta da polinização e das rinites alérgicas. Independentemente da estação, Dr. Marcelo Mallmann foi enfático ao afirmar que mortes por asma são inaceitáveis diante da medicina atual: “Infelizmente, é algo inacreditável e inadmissível termos pessoas que venham a falecer por crise de asma, devido à qualidade de tratamentos que temos hoje à disposição”.