O Centro de Atendimento Integrado da Criança e do Adolescente (Caika) registrou aumento superior a 20% nos atendimentos no último ano, em Camaquã. Em 2024, foram mais de 13 mil. Em 2023, o número passou de 16 mil.

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O Caica é responsável pelo acolhimento e acompanhamento de crianças e adolescentes com sofrimento psíquico, incluindo casos de ansiedade, tristeza persistente, isolamento social e suspeita de transtornos do neurodesenvolvimento. O acesso ao serviço ocorre por encaminhamento das Unidades Básicas de Saúde (UBSs).
Segundo o secretário municipal da Saúde, Daniel Mariano, a UBS faz a triagem inicial e direciona os casos. Após o acolhimento no Caica, a equipe define a prioridade e o tipo de acompanhamento.
A psicóloga responsável do Caica, Caroline Von Ahn, explicou que não há uma faixa etária predominante. “Atendemos desde crianças pequenas até adolescentes. O que aumentou foi a gravidade dos sintomas, especialmente após a pandemia”, disse.
Entre os sinais mais comuns estão ansiedade, tristeza, irritabilidade e mudanças bruscas de comportamento. Em crianças, os sintomas nem sempre aparecem como choro. “Elas ficam mais agressivas ou intolerantes. Isso também é um alerta”, explicou.
Outro fator frequente é o isolamento social. O uso excessivo de telas, intensificado durante a pandemia, reduziu a convivência fora de casa. “A tela pode ajudar, mas também expõe a conteúdos inadequados e substitui o brincar”, afirmou Carolina.
O Caica conta com equipe multidisciplinar, formada por psicólogos, psiquiatra, terapeuta ocupacional, fonoaudióloga, assistente social, enfermeira e médica clínica. Atualmente, cinco psicólogas atendem no serviço, que concentra a maior demanda da rede.
A entrada no tratamento depende da avaliação inicial. Casos considerados mais graves recebem prioridade. Em situações em que o quadro evolui enquanto a criança aguarda atendimento, a orientação é que a família retorne ao serviço para nova avaliação.
A secretaria reconhece a existência de filas para alguns atendimentos especializados. Mariano atribui a dificuldade à escassez de profissionais no mercado e à limitação de recursos. “A maior parte do financiamento vai para a atenção básica. A média e alta complexidade ficam descobertas”, disse.
Ele afirmou que estuda alternativas para ampliar o serviço, como ajustes de horário e melhor aproveitamento da estrutura existente. A ampliação do atendimento fora do horário comercial é uma das possibilidades em análise.
“A demanda cresceu rápido. Nosso desafio é fazer o serviço crescer junto, sem perder qualidade”, afirmou o secretário.



