Projeto Natureza

Audiência pública discute licenciamento de fábrica de celulose da CMPC em Barra do Ribeiro

Entidades socioambientais alegam que impactos do empreendimento atingem a Região Metropolitana

A Fundação Estadual de Proteção ao Meio Ambiente (Fepam) e a CMPC realizam na tarde desta quinta-feira (29) uma audiência pública presencial sobre o licenciamento ambiental do Projeto Natureza, em Barra do Ribeiro, na Região Metropolitana de Porto Alegre. O empreendimento, da companhia chilena CMPC, prevê a instalação de uma nova fábrica de celulose de eucalipto no município.

Audiência pública discute licenciamento de fábrica de celulose da CMPC em Barra do Ribeiro
Audiência pública discute licenciamento de fábrica de celulose da CMPC em Barra do Ribeiro. Foto: Fábio Klar Renner | Acústica FM

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O Projeto Natureza tem capacidade prevista de produção de 2,5 milhões de toneladas por ano. O investimento total estimado da companhia é de cerca de R$ 24 bilhões, condicionado à aprovação do conselho de administração da empresa, com previsão de entrada em operação é o segundo semestre de 2029.

Parte dos recursos, aproximadamente R$ 3 bilhões, será destinada à concessão do terreno e à construção de um Terminal de Uso Privado (TUP) no Porto de Rio Grande, além da contratação de novas embarcações. A empresa afirma que essas etapas confirmam o cronograma do projeto. A CMPC já opera uma fábrica de celulose em Guaíba, com capacidade anual de 2,4 milhões de toneladas de celulose de eucalipto.

Audiência pública discute licenciamento de fábrica de celulose da CMPC em Barra do Ribeiro. Foto: Fábio Klar Renner | Acústica FM
Audiência pública discute licenciamento de fábrica de celulose da CMPC em Barra do Ribeiro. Foto: Fábio Klar Renner | Acústica FM

Entidades pedem novas audiências públicas sobre fábrica à Fepam

Na véspera da audiência pública sobre o licenciamento do empreendimento, entidades socioambientais protocolaram, na quarta-feira (28), um pedido à Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) para a realização de novas audiências públicas. As organizações defendem encontros em Porto Alegre, Viamão e outros municípios da Região Metropolitana, sob o argumento de que os impactos do projeto ultrapassam os limites de Barra do Ribeiro.

Entre as principais preocupações está a localização do emissário de efluentes líquidos da futura fábrica, prevista para cerca de 3,5 quilômetros de Belém Novo, na zona sul da capital. O ponto fica próximo a novas estações de captação e tratamento de água do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae).

Segundo as entidades, a vazão estimada pode chegar a 240 mil metros cúbicos de efluentes por dia, volume superior ao gerado por toda a cidade de Porto Alegre. O documento aponta risco ao abastecimento de água e à segurança ambiental da região.

O pedido também menciona possíveis impactos na Bacia Hidrográfica do Rio Guaíba e na Laguna dos Patos, manancial que abastece Porto Alegre, municípios da Região Metropolitana e da Costa Doce. As emissões atmosféricas da unidade industrial, que poderá se tornar a maior do setor no Sul do País, são citadas como outro fator de preocupação.

As entidades afirmam ainda que povos indígenas, pescadores e populações tradicionais podem ser diretamente afetados pelo empreendimento. Por isso, defendem a ampliação dos espaços de participação e manifestação da sociedade.

Ao final, solicitam que a Fepam e os Ministérios Públicos Estadual e Federal garantam a realização de novas audiências públicas, com ampla divulgação, participação popular e acesso a informações técnicas compatíveis com a dimensão dos impactos socioambientais apontados.

Tags: Audiência pública, Barra do Ribeiro, cmpc, fábrica de celulose, Projeto Natureza