Uma bactéria comum na boca pode estar ligada ao desenvolvimento da endometriose. Pesquisadores da Faculdade de Medicina de Nagoya, no Japão, identificaram o micro-organismo Fusobacterium em 64,3% das pacientes com a doença. Em mulheres saudáveis, a presença desse agente infeccioso foi de apenas 7,1%. O estudo, publicado na revista científica Science Translational Medicine, abre caminhos para tratamentos inéditos no futuro.

Endometriose provoca dores fortes e infertilidade
A endometriose é uma condição crônica em que o endométrio, tecido que reveste o útero por dentro, cresce fora do órgão, provocando dores fortes e infertilidade. Segundo os cientistas, a bactéria migra da boca para o útero pelo sangue, principalmente em quem tem problemas na gengiva. No sistema reprodutivo, o germe altera o ambiente celular e dispara uma inflamação que acelera o avanço da enfermidade.
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Os testes de laboratório mostraram que a infecção ativa uma proteína chamada TAGLN, responsável por aumentar a capacidade de multiplicação e fixação das células doentes. O processo também eleva a produção de citocinas, moléculas que estimulam a resposta inflamatória do próprio organismo. A presença da bactéria já era associada pela ciência ao surgimento do câncer colorretal.
O uso de antibióticos comuns, como metronidazol e cloranfenicol, conseguiu reverter o quadro em testes com camundongos. Os medicamentos eliminaram os micro-organismos, reduziram as inflamações e diminuíram o tamanho das lesões uterinas. Médicos alertam, porém, que o uso desses remédios por conta própria desregula as defesas naturais do corpo e cria bactérias superresistentes.
A descoberta traz novas perspectivas para o diagnóstico e tratamento da doença, que afeta uma em cada dez mulheres em idade fértil. Como a identificação do problema hoje demora anos e costuma exigir cirurgia, a busca por métodos baseados em exames laboratoriais menos invasivos virou prioridade global. O combate à bactéria surge como uma provável estratégia médica nos próximos anos.



