A escrivã de polícia Bianca Benemann está deixando a Delegacia de Polícia de Camaquã para atuar exclusivamente na coordenação estadual do Programa Libertar, iniciativa da Polícia Civil voltada à prevenção e repressão de crimes sexuais contra crianças e adolescentes. A mudança ocorre após sua transferência da 29ª Delegacia de Polícia Regional do Interior (DPRI), em Camaquã, para atuar de forma exclusiva na chefia de polícia. A alteração foi motivada pelo crescimento do programa, hoje presente em 36 cidades do Rio Grande do Sul.

O Libertar nasceu em 2023, em Camaquã, como projeto desenvolvido por Bianca Benemann. Em 2025, foi institucionalizado pela Polícia Civil gaúcha por portaria do então chefe de polícia, delegado Fernando Sodré. A iniciativa se consolidou como política pública de enfrentamento a crimes sexuais, combinando ações preventivas e repressivas.
Segundo dados da própria Polícia Civil, somente em 2025 o programa alcançou mais de 11 mil pessoas, resultando em 65 registros de ocorrência e três prisões preventivas.
Como funciona o Programa Libertar
O Libertar consiste em palestras de aproximadamente 45 minutos realizadas em escolas e APAEs para públicos acima de 10 anos. O conteúdo aborda técnicas utilizadas por predadores reais e virtuais, com foco em orientação, prevenção e estímulo à revelação segura de abusos.
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Ao término das palestras, os policiais responsáveis realizam atendimentos individuais em salas reservadas. Muitas vítimas relatam, nesse momento, situações de violência sexual. Os agentes são capacitados para escuta especializada e registram imediatamente as ocorrências, sem necessidade de deslocamento à delegacia. Em casos de risco iminente, a rede de proteção é acionada para a retirada imediata da vítima do ambiente de violência.
Após o registro, todas as vítimas são encaminhadas ao atendimento especializado, e as delegacias responsáveis recebem os casos com autoria já definida, o que acelera investigações e responsabilizações.
Contexto e relevância do programa
Os dados do 19º Anuário Brasileiro de Segurança Pública (2025) reforçam a importância de ações como o Libertar. Segundo o levantamento, 65,7% dos estupros e 67,9% dos estupros de vulnerável ocorrem na residência das vítimas, e 45,5% dos agressores são familiares. A escola, considerada ambiente de confiança, torna-se espaço estratégico para a revelação segura.
O modelo também reduz o risco de revitimização, pois o relato é feito uma única vez a policiais treinados, evitando repetição da narrativa para múltiplas instituições.
Transição e continuidade
Ao comunicar sua saída da 29ª DPRI, Bianca Benemann agradeceu o apoio da imprensa e ressaltou que o crescimento do Libertar tornou incompatível a acumulação de funções. Ela passa a atuar sob a Divisão de Prevenção, Justiça Restaurativa e Direitos Humanos, dirigida pela delegada Eliana Parahyba Lopes.
“Foi com o apoio de todos que o Libertar deixou de ser um projeto para se tornar programa institucional”, afirmou, destacando que o objetivo central permanece o de “encorajar vítimas a romper o silêncio” e garantir atendimento imediato.




