Na manhã desta segunda-feira (14), o programa Primeira Hora recebeu o presidente do Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Sul (SIMERS), Dr. Marcelo Marsillac, para um debate aprofundado sobre o cenário atual da saúde pública, o ensino médico no Brasil e a segurança jurídica da profissão. Durante a entrevista, o líder sindical manifestou profunda preocupação com o crescimento desordenado de faculdades de medicina sem infraestrutura técnica, impulsionadas por decisões judiciais e interesses estritamente comerciais.

Projeções estatísticas, déficit na formação e desemprego médico
Ao analisar o avanço no número de graduandos em termos nacionais, Dr. Marcelo apresentou dados que revelam uma inflação na formação profissional, prevendo que o país ultrapassará a marca de 1 milhão de médicos nos próximos anos, superando inclusive a proporção de enfermeiros. Essa proliferação descontrolada não resultou na redução de mensalidades das faculdades privadas e vem gerando quadros de desemprego e endividamento entre jovens formados por financiamentos estudantis. O presidente do SIMERS reforçou que o sindicato atua ativamente para tentar conter a abertura de novos cursos e conter a liberação judicial de formandos reprovados em avaliações de desempenho profissional.
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Desafios do atendimento no interior
Questionado sobre a distribuição e fixação de médicos em municípios do interior, Dr. Marcelo refutou a ideia de que falte interesse dos profissionais em atuar fora das grandes capitais. Segundo o presidente da entidade, a recusa de médicos mais experientes está atrelada à precariedade dos contratos de trabalho oferecidos por gestões locais, que costumam terceirizar serviços através de PJs temporárias ou empresas que deixam o município sem quitar direitos trabalhistas. Para fixar especialistas de forma permanente, a liderança defende a criação de carreiras públicas estruturadas, remuneração justa e oferta de insumos para diagnóstico e tratamento nas Unidades Básicas de Saúde. “Trazem o médico por um contrato PJ com uma relação com uma empresa que entra, sai, deixa dívidas e vai embora. Quem sabe a gente traz um médico pra cidade, oferece para ele um salário compatível com a sua formação e faz com que ele crie raízes dentro do município?”, provocou o dirigente.
Futuro da saúde pública no Estado
A atuação de órgãos representativos frente ao cenário nacional torna-se vital para impedir o desmantelamento das garantias éticas da medicina e a desvalorização profissional. Com dezenas de ações judiciais e administrativas em andamento para auditar autorizações e exigir critérios técnicos do Ministério da Educação, o SIMERS reforça o compromisso de atuar como uma barreira de proteção em defesa da vida da população. Conforme encerrou a liderança sindical em sua participação no programa Primeira Hora, valorizar o ato médico, assegurar uma formação acadêmica rigorosa e garantir infraestrutura adequada de trabalho nos postos e hospitais é o único caminho para construir uma rede pública de saúde humana, eficiente e duradoura na Costa Doce e em todo o Rio Grande do Sul.



