A gestão municipal reformulou sua estrutura no fim de 2025 e colocou como prioridade a criação de uma política habitacional para enfrentar o déficit de moradias e a irregularidade fundiária em Camaquã, através da Secretaria Municipal de Habitação e Desenvolvimento Sustentável. A informação foi detalhada neste sábado (31) pelo secretário Gildo Silva e pelo adjunto Maicon Nava, em entrevista à Rádio Acústica FM.

Segundo o secretário, a mudança no nome e no escopo da pasta buscou concentrar ações consideradas estratégicas. Antes da reformulação, o setor de habitação tinha apenas uma servidora e a secretaria se chamava “Meio Ambiente”. Hoje, a pasta conta com engenheiros e técnicos. “Nós temos muitas casas ainda irregulares em Camaquã”, enatizou.
Gildo Silva afirmou que a secretaria conduz projetos em andamento e busca novas áreas para ampliar a oferta de moradias. “Já temos projetos em andamento, como as casas no Loteamento das Flores Fase 2 e um projeto Minha Casa Minha Vida em andamento com mais 150”, disse. “Isso ainda é insuficiente, nós estamos fazendo um levantamento sobre as áreas que o município pode negociar para ampliar essa oferta”.

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Plano Municipal de Habitação
Para estruturar a política pública, o secretário realiza reuniões com entidades do setor. Recentemente, esteve com o presidente do Conselho Municipal de Habitação, Marcos Pires. O órgão passa por reativação e deve participar da elaboração de um Plano Municipal de Habitação.
O secretário adjunto Maicon Nava afirmou que, no início, teve receio sobre a mudança administrativa, mas avalia que os serviços ambientais continuam. “Habitação está muito ligada às questões ambientais”, explicou.
Gildo Silva disse que a pasta mantém foco técnico na área ambiental. “Nossa secretaria tem uma capacidade técnica muito grande com geólogos, engenheiros, biólogos”. Para ele, o eixo é a sustentabilidade. “Quando falamos em Meio Ambiente a palavra chave é sustentabilidade e o ponto é o equilíbrio”, explicou o secretário. “Todo mundo acha que o meio ambiente é o ‘patinho feio’, mas quando se tem projeto de sustentabilidade promovendo o desenvolvimento econômico e social, mas mantendo e preservando o meio ambiente, estamos garantindo o futuro”, complementou. “Precisamos de consciência crítica para manter o local onde a gente vive”.
Loteamento das Flores tem 60 casas em construção
A prefeitura constrói 60 casas populares no Loteamento das Flores Fase 2. As unidades serão destinadas a moradores em situação irregular no bairro Getúlio Vargas. “Será feito um processo de avaliação através da Secretaria de Desenvolvimento Social”.

Dados do último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que 3,5% da população de Camaquã, cerca de 2,2 mil pessoas, vive em áreas classificadas como “favela”, caracterizadas por restrição fundiária, insegurança jurídica, risco ambiental e oferta precária de serviços públicos. Os projetos habitacionais buscam regularizar essas situações. Segundo o secretário, “são critérios técnicos, sem margem para interferências políticas”.
O empreendimento integra o programa estadual A Casa É Sua e tem contrapartida financeira do município. O custo foi reajustado de R$ 5,3 milhões para R$ 6,8 milhões. Desse total, R$ 4,8 milhões virão do governo do Estado. O restante será pago com recursos próprios da prefeitura.
A construção também cumpre um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com o Ministério Público, que prevê a realocação das famílias para áreas regularizadas.
Na última semana, Gildo Silva vistoriou a rede de esgoto e o cronograma da obra. A secretaria estuda alterar a entrega das unidades. Em vez de liberar as 60 casas apenas ao final, a proposta é dividir em três etapas, com 20 unidades por fase.
Arborização e adaptação climática
Maicon Nava afirmou que a atuação ambiental da secretaria foi ampliada. Segundo o adjunto, que é ex-secretário de Meio Ambiente, o foco deixou de ser apenas licenciamentos pontuais. A prefeitura desenvolve ações de arborização urbana e manutenção de árvores existentes, além de um projeto mais amplo para reduzir impactos climáticos e ilhas de calor.
“Nós começamos um trabalho pela Faixinha, substituindo arbustos tóxicos por árvores mais adequadas”. A iniciativa integra a estratégia de adaptação climática e de qualificação dos espaços urbanos. Além disso, a pasta segue elaborando um Plano de Arborização para Camaquã.




