As causas da morte do camaquense Márcio Uebel Hübner, de 49 anos, foram confirmadas oficialmente nesta terça-feira (8). O piloto morreu no dia 20 de agosto, na Colômbia, depois de apresentar um quadro grave de saúde associado a uma infecção que provocou necrose de tecidos. Conhecida popularmente como “bactéria comedora de carne”, a condição está relacionada à fasciíte necrosante, doença que pode evoluir rapidamente e comprometer diferentes regiões do organismo.

Hübner era conhecido em Camaquã por sua atuação como piloto de aeronaves e mantinha um amplo círculo de amizades no município. Segundo informações divulgadas pelo jornal colombiano El Tiempo, o brasileiro estava sob custódia das autoridades colombianas quando seu estado de saúde se agravou em função de uma bactéria. Ele teria sido encontrado ferido às margens de um rio após ser abandonado por pessoas que o acompanhavam.
“Ele já havia passado por outras internações, mas viveu os últimos 10 dias de sua vida com muito sofrimento. O hospital onde foi internado cuidou dele dentro das possibilidades que tinha, mas enfrentava muitas limitações, inclusive na disponibilidade de medicamentos”, publicou em suas redes sociais a irmã de Márcio, relatando o drama vivido pelo camaquense.
De acordo com a publicação colombiana, uma infecção avançou pelas extremidades do corpo e provocou áreas de necrose. Após ser levado a um hospital, a identidade do brasileiro foi confirmada e uma consulta aos sistemas migratórios apontou que ele era procurado internacionalmente. O nome de Hübner também constava em registros da Interpol. A partir da identificação, ele permaneceu sob custódia da Polícia Nacional da Colômbia.
Piloto era procurado desde 2022
A origem da procura internacional está relacionada a uma ocorrência registrada no interior de São Paulo, em julho de 2022. Na ocasião, uma aeronave transportando aproximadamente 656 quilos de cocaína foi localizada pelas autoridades brasileiras. O avião realizou um pouso forçado no município de Jales, e a carga foi apreendida.
As investigações abertas após a apreensão buscaram identificar os responsáveis pelo transporte da droga e pela operação da aeronave. Conforme informações atribuídas à notificação vermelha da Interpol e divulgadas pelo El Tiempo, Hübner foi apontado pelas autoridades brasileiras como piloto do avião e investigado por suposta participação na logística e no transporte da carga.
O caso envolveu suspeitas relacionadas aos crimes de tráfico de drogas e associação criminosa. Segundo os registros internacionais mencionados pela publicação colombiana, o brasileiro poderia receber uma pena de até 40 anos de prisão. Desde então, ele não teria sido localizado pelas autoridades brasileiras.
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Investigação apontou circulação entre países
Durante o período em que permaneceu foragido, Hübner teria circulado por diferentes países da América do Sul. Conforme a reconstrução apresentada pelo El Tiempo, as investigações apontaram possíveis deslocamentos entre Brasil, Venezuela e Colômbia.
Ainda segundo o jornal, os investigadores apuravam possíveis relações do piloto com operações aéreas utilizadas para o transporte de cocaína. A análise de aeronaves, matrículas e trajetos também fazia parte das linhas de investigação. O caso teria levado as autoridades a apurar uma possível ligação com integrantes de dissidências comandadas por Iván Mordisco, apontado pelas autoridades colombianas como um dos principais líderes de grupos armados do país.
O pedido de extradição apresentado pelo Brasil não chegou a ser cumprido. Hübner também não compareceu ao processo que tramitava na Justiça Federal de Jales relacionado ao episódio de 2022. Na Colômbia, enquanto permanecia internado, a Procuradoria-Geral da Nação passou a conduzir os procedimentos ligados ao pedido brasileiro.
Infecção por bactéria evoluiu para quadro grave
Enquanto as autoridades tratavam da situação judicial, médicos acompanhavam a evolução da infecção por bactéria. Segundo as informações divulgadas pelo El Tiempo, a necrose atingiu extremidades do corpo e o quadro clínico continuou a se agravar.
Uma possível intervenção cirúrgica chegou a ser avaliada pela equipe médica. Entretanto, conforme a publicação colombiana, a infecção por bactéria evoluiu e posteriormente houve comprometimento de múltiplos órgãos.
Márcio Uebel Hübner morreu aos 49 anos, na Colômbia. A confirmação das causas da morte encerra a investigação sobre o quadro clínico que levou à morte, enquanto permanecem registrados os procedimentos judiciais relacionados às acusações feitas contra ele no Brasil.






