O programa Primeira Hora desta terça-feira (26) recebeu Camila Rode, representante da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (FETAG), para analisar a recente mobilização dos produtores de tabaco em Santa Cruz do Sul. O encontro reuniu cerca de duas mil pessoas para debater os impasses da atual safra com o Sindicato Intermunicipal da Indústria do Tabaco (Sinditabaco). Segundo a convidada, a urgência do cenário exigiu uma articulação rápida da Comissão Estadual do Tabaco, que organizou o ato em apenas dois dias.

Desafios na comercialização
A dirigente relatou que o setor enfrenta critérios rígidos de classificação do produto por parte das indústrias, além do temor constante com a falta de segurança nas propriedades e nas estradas. Muitos produtores da região da Costa Doce deixam de comparecer a atos públicos por receio de saques ao tabaco estocado nas propriedades ou devido ao roubo de cargas em trechos de serra. Durante a reunião com o Sinditabaco e representantes de sete empresas do setor, as restrições legais impediram discussões diretas sobre preços, mas a bancada dos trabalhadores expôs as pressões sofridas no campo. “Trouxemos questões pontuais, como as pressões que os agricultores sofrem e a tentativa de responsabilizá-los por problemas na classificação quando não há orientação adequada das empresas”, explicou a convidada.
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Transparência no sistema integrado
A postura adotada pela federação priorizou o diálogo técnico e a busca por entendimentos mútuos, evitando discursos de confronto que pudessem inviabilizar as negociações setoriais. Camila defendeu que a legitimidade do movimento sindical se constrói por meio da diplomacia e da capacidade de propor soluções concretas junto aos compradores. “Eu acredito muito em mobilização para dar voz aos anseios dos agricultores, mas não acredito em sensacionalismo de quem não senta na mesa para negociar”, pontuou a entrevistada.
Futuro da próxima safra do Tabaco
Como encaminhamento prático do encontro, as lideranças agrícolas e os representantes da indústria fecharam um cronograma de reuniões individuais com cada empresa para planejar a próxima temporada. O objetivo da medida é estabelecer regras estáveis de compra e venda antes do início do plantio, impedindo que o produtor assuma sozinho os prejuízos de um eventual excesso de oferta no mercado global. “Não dá para entrar em um jogo e, no meio dele, as regras mudarem. A safra já está sendo organizada agora. Nossa preocupação é atacar o problema antes que ele aconteça”, concluiu Camila, que reforçou o compromisso da FETAG em assegurar a dignidade econômica e a sustentabilidade no meio rural.





