As entidades representativas dos caminhoneiros estabeleceram um prazo de sete dias para que o governo federal apresente soluções definitivas sobre o preço do óleo diesel e o valor do frete. A decisão, tomada após assembleia em Santos (SP), suspendeu a paralisação nacional imediata, mas manteve a categoria em “estado de greve”. Na prática, isso significa que os motoristas estão prontos para interromper as atividades a qualquer momento, caso as negociações previstas para a próxima semana não avancem.

Caminhoneiros serão recebidos na próxima semana
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, confirmou que receberá os líderes do setor nos próximos dias. O encontro busca detalhar a Medida Provisória (MP) nº 1.343/2026, que tenta pacificar a categoria. A norma obriga o registro de todas as viagens por meio de um código eletrônico, o CIOT, o que permite à agência reguladora fiscalizar se as empresas estão pagando o valor mínimo obrigatório pelo transporte das cargas.
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Embora a maioria dos motoristas defendesse a interrupção das atividades, as lideranças optaram pela cautela. José Roberto Stringasci, presidente da Associação Nacional de Transporte no Brasil (ANTB), afirmou que a categoria aguarda um sinal positivo do Planalto para evitar o bloqueio das estradas. Segundo ele, o cumprimento do piso mínimo do frete é essencial para garantir a dignidade dos profissionais, especialmente diante das constantes variações no preço dos combustíveis.
A nova legislação impõe punições severas para empresas que descumprirem a tabela de fretes. As multas podem variar de R$ 1 milhão a R$ 10 milhões por operação irregular. Em casos de reincidência, a transportadora corre o risco de ter seu registro cancelado por até dois anos, ficando impedida de operar legalmente no País. Além da MP, um decreto presidencial estabeleceu novas diretrizes para o cálculo do preço de referência do diesel nas bombas.
No Sul do País, o movimento de caminhoneiros perdeu força momentaneamente após decisões judiciais. A Justiça Federal proibiu o bloqueio das rodovias BR-101 e BR-470, em Santa Catarina, além de vetar o fechamento dos acessos aos portos de Itajaí e Navegantes. A sentença fixou multas diárias que chegam a R$ 100 mil para empresas que estimularem as interdições. Diante do cenário jurídico e das promessas do governo, associações locais confirmaram a desmobilização das manifestações regionais.




