O governador Eduardo Leite (PSD) e a secretária da Mulher, Fábia Richter, lançaram nesta quarta-feira (3) a campanha para prevenção da violência contra as mulheres “Não maquie, denuncie”. O ato realizado no Palácio Piratini reuniu representações de entidades de atendimento à mulher, movimentos sociais e organizações da sociedade civil.

Em sua fala, Leite destacou que governar vai além de executar obras ou organizar o orçamento público. “Nosso papel é também promover avanços civilizatórios, transformar hábitos e fortalecer valores coletivos. Por isso, essa campanha nos lembra que a violência contra a mulher não começa no feminicídio. Ela começa quando alguém tenta silenciar, limitar, controlar. E isso não pode ser normalizado”, enfatizou.

Fábia apresentou a política da nova pasta e detalhou os eixos de atuação no enfrentamento à violência, com foco na prevenção, proteção e monitoramento, ressaltando também que a mulher só consegue denunciar quando se sente verdadeiramente segura.
Não maquie, denuncie
A diretora de Publicidade e Marketing da Secretaria de Comunicação, Natacha Gastal, apresentou os detalhes da campanha e destacou que o objetivo vai além da divulgação. “Nós não estamos apenas lançando uma campanha. Estamos apresentando um posicionamento público. A violência contra a mulher não é um problema das mulheres, é um problema da sociedade. Esse é um ponto de virada na forma como o Estado comunica e assume essa responsabilidade”, sustentou.

O conceito da campanha, segundo ela, utiliza a maquiagem como recurso estético e metáfora. “A maquiagem pode esconder, mas também pode revelar. Queremos que as pessoas enxerguem o que está por trás das marcas invisíveis da violência”.
Convocação à sociedade
De acordo com a secretária Fábia, a campanha busca convocar toda a sociedade, especialmente os públicos historicamente afastados do debate. “A segurança das mulheres é um termômetro da saúde de uma sociedade”, destacou.
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Indicadores de violência doméstica
De acordo com o Observatório Estadual da Segurança Pública, de janeiro a outubro deste ano, 69 mulheres foram mortas e 220 foram vítimas de tentativas de feminicídio no Estado. Além disso, nesse mesmo período, cerca de 40 mil mulheres denunciaram algum tipo de violência. Os dados indicam ainda que a maioria dos casos de violência acontece dentro da casa da vítima ou do suspeito, revelando que o companheiro da mulher é o principal agressor.
Tendo em vista esse cenário, a campanha do governo tem como objetivo principal o incentivo às denúncias e o acolhimento das vítimas, tanto por parentes e amigos quanto pelas entidades, com foco na proteção das mulheres. Porém, para que haja uma mudança efetiva de comportamento coletivo, é fundamental que também se estabeleça e se incentive uma comunicação aberta sobre o assunto com os homens e entre os homens.
Rede de Proteção da Mulher
É por meio da SDM que o Estado coordena a Rede de Proteção da Mulher no Rio Grande do Sul, uma articulação interinstitucional. O objetivo dessa rede é oferecer atendimento integral, humanizado e articulado a mulheres em situação de violência, promovendo segurança, acolhimento e acesso a direitos. A Rede de Proteção da Mulher no Rio Grande do Sul representa um compromisso do Estado com a promoção dos direitos das mulheres, oferecendo suporte integral e articulado para aquelas em situação de violência. Integram as principais iniciativas da rede:
- Centro de Referência da Mulher Vânia Araújo Machado: localizado em Porto Alegre, oferece atendimento psicológico,social e jurídico por equipe multidisciplinar, visando o fortalecimento e empoderamento das mulheres atendidas.
- Delegacia de Polícia Online da Mulher RS: plataforma digital para registro de ocorrências de violência contra a mulher, facilitando o acesso à justiça.
- Observatório da Violência Contra a Mulher: monitora e divulga indicadores de violência, subsidiando políticas públicas eficazes.
- Sala das Margaridas: ambiente acolhedor para atendimento às vítimas de violência doméstica, proporcionando suporte especializado.
- Programa de Monitoramento do Agressor: utiliza tornozeleiras eletrônicas para monitorar agressores em tempo real, prevenindo novas agressões.
- Patrulha Maria da Penha: realiza visitas periódicas às vítimas para fiscalizar o cumprimento de medidas protetivas de urgência.
- Rede Lilás: comitê interinstitucional que articula serviços públicos nas áreas de segurança, saúde, educação, assistência social e justiça para mulheres e meninas vítimas de violência.



