A cultura da canola segue ampliando sua presença no Rio Grande do Sul e desponta como uma alternativa estratégica para a produção de alimentos, biocombustíveis e combustíveis sustentáveis para a aviação. O tema foi abordado nesta quarta-feira (9) pelo presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Canola (Abrascanola), Vantuir Scarantti, durante entrevista à Rádio Acústica FM.

Segundo Scarantti, a expansão da cultura está diretamente ligada ao crescimento da demanda por fontes renováveis de energia e à necessidade de diversificação das atividades agrícolas. Atualmente, o Rio Grande do Sul conta com cerca de 400 mil hectares cultivados com canola, com expectativa de alcançar uma produção próxima de 600 mil toneladas de grãos nesta safra.
O presidente da Abrascanola destacou que a entidade trabalha para fortalecer toda a cadeia produtiva, envolvendo produtores, cooperativas, cerealistas, instituições de pesquisa e órgãos de assistência técnica. Entre as ações recentes está a formalização de uma parceria com a Emater/RS-Ascar para ampliar a capacitação de técnicos e a difusão da cultura junto aos agricultores gaúchos.
Scarantti ressaltou que a canola não busca substituir outras culturas de inverno, como trigo, aveia e cevada, mas atuar como uma alternativa dentro dos sistemas de rotação de culturas, contribuindo para a sustentabilidade das propriedades e para a geração de renda adicional aos produtores. Ele também destacou que estudos apontam potencial para o cultivo de mais de 4 milhões de hectares de culturas do grupo das brássicas no Estado, incluindo canola, carinata e mostarda.
Biocombustíveis com canola
Outro ponto abordado foi o avanço dos combustíveis sustentáveis para a aviação (SAF). Conforme o dirigente, a carinata e a mostarda têm despertado interesse crescente por serem matérias-primas voltadas especificamente para a produção de biocombustíveis, atendendo às metas globais de redução das emissões de carbono.
Em relação à comercialização, Scarantti afirmou que o setor está cada vez mais organizado e oferece ao produtor garantias de fornecimento de sementes, assistência técnica e compra da produção. Segundo ele, os contratos permitem maior previsibilidade e segurança para quem investe na cultura.
Óleo vegetal
O presidente da Abrascanola também destacou a importância da canola na produção de óleo vegetal. De acordo com ele, enquanto a soja apresenta rendimento médio de cerca de 18% na extração de óleo, a canola alcança aproximadamente 40%, fator que reforça seu potencial para atender tanto o mercado alimentício quanto a indústria de biocombustíveis.
Para Scarantti, o Brasil possui condições de ampliar significativamente a produção dessas culturas, atendendo não apenas a demanda interna, mas também mercados internacionais interessados em fontes renováveis de energia e matérias-primas sustentáveis.





