Em entrevista ao programa Primeira Hora desta terça-feira (14), 0 cirurgião plástico Luiz Carlos Severo falou sobre lipo HD, cirurgias pós-bariátricas, procedimentos nas mamas e os riscos de promessas irreais no setor.

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A cirurgia plástica brasileira segue entre as mais relevantes do mundo e mantém padrão técnico comparável ao dos Estados Unidos. A avaliação é do cirurgião plástico Luiz Carlos Severo, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica desde 2008 e da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica desde 2024, em entrevista à Rádio Acústica FM.
Segundo ele, Brasil e Estados Unidos lideram o número de cirurgias estéticas em termos absolutos. Para o médico, a formação dos profissionais brasileiros e a criação de técnicas nacionais colocam o País em posição de destaque internacional.
“O Brasil tem excelentes cirurgiões e desenvolveu métodos hoje usados em vários lugares”, afirmou.
Lipo HD não serve para todos
Um dos temas centrais da entrevista foi a chamada lipo HD, sigla em inglês para “alta definição”. O procedimento busca realçar contornos musculares e costuma ser associado a imagens populares nas redes sociais.
Severo explicou que a base técnica continua sendo a lipoaspiração tradicional, com retirada de gordura localizada por cânulas. A diferença está no refinamento do contorno corporal e no uso de tecnologias complementares.
Entre elas, citou aparelhos de ultrassom para emulsificar a gordura antes da retirada e recursos para melhorar a retração da pele no pós-operatório.
Apesar da procura crescente, ele alertou que o método tem indicação limitada. Os melhores resultados aparecem em pacientes já magros, com baixo percentual de gordura corporal.
“Nem todo corpo vai atingir o resultado visto na internet”, disse.
Redes sociais ampliam distorções
O médico afirmou que filtros, edição de imagem e inteligência artificial ampliaram expectativas irreais. Segundo ele, muitas fotos divulgadas nas redes sociais não representam resultados comuns ou sequer reais.
Por isso, defendeu consultas longas e avaliação individualizada antes de qualquer cirurgia.
Severo disse que recusa operar pacientes que desejam copiar o corpo de artistas ou enxergam o procedimento como atalho para fama e ganho financeiro.
“A cirurgia melhora características da pessoa. Não transforma alguém em outra pessoa”, resumiu.
Pós-bariátrica cresce com novas medicações
Outro destaque foi o avanço das cirurgias reparadoras em pacientes que perderam muito peso, seja após bariátrica, seja com uso de medicamentos para emagrecimento.
Nesses casos, o principal desafio é retirar excesso de pele e reconstruir o contorno corporal com segurança. O especialista relatou aumento de procedimentos como abdominoplastia em 360 graus, que trata abdômen, flancos e região lombar na mesma cirurgia.
Também citou correções em coxas, braços, mamas e face, áreas frequentemente afetadas por grande emagrecimento.
Mama: técnica varia conforme cada caso
Ao falar de mamoplastia e mastopexia, Severo reforçou que não existe solução única. A escolha entre prótese, retirada de pele, telas absorvíveis e técnicas de sustentação depende da anatomia e do objetivo da paciente.
Ele criticou modelos padronizados de atendimento, com indicação repetida de próteses grandes sem estudo das medidas corporais.
“Cada paciente precisa de planejamento próprio”, afirmou.
Como escolher com segurança
O cirurgião recomendou que o paciente verifique se o médico tem registro de especialista (RQE), inscrição regular no Conselho Regional de Medicina e vínculo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.
Também orientou checar se hospital ou clínica possui licenças sanitárias e estrutura adequada.
Para ele, preço baixo não pode ser o único critério de escolha.
“Cirurgia é assunto de saúde. Segurança vem antes de tudo”, concluiu.



