Na manhã desta terça-feira (11), o programa Primeira Hora recebeu Flávio Obino, presidente do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), para uma conversa sobre as fraudes no mercado de azeites importados. Durante a entrevista, o especialista enfatizou que o azeite de oliva figura, historicamente, entre os produtos mais adulterados no comércio global, beneficiando-se da falta de conhecimento do consumidor sobre os critérios de qualidade. Ele explicou que muitos óleos comercializados como extra virgem na verdade são classificados como virgens ou até mesmo como lampantes — uma categoria deteriorada e inadequada para a mesa.

Gargalos na fiscalização
O presidente do Ibraoliva criticou os métodos atuais de fiscalização das marcas estrangeiras que chegam aos supermercados brasileiros, defendendo que o controle rigoroso deve ocorrer no momento da importação. Ele ressaltou que, embora misturas e truques químicos consigam mascarar irregularidades nos testes laboratoriais padrão, o paladar não se deixa enganar, tornando os painéis de degustação fundamentais para identificar o mofo e o ranço de lotes desqualificados. “Quimicamente a gente sabe que podem ter intervenções que corrigem defeitos”, apontou o dirigente, reafirmando que apenas a prova sensorial consegue assegurar o que a rotulagem esconde.
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Frescor e excelência do produto nacional frente às marcas importadas
Em contrapartida às irregularidades dos rótulos importados, o entrevistado destacou a posição de protagonismo do produto nacional, garantindo que “na média o azeite brasileiro é o melhor do mundo” devido ao frescor do processamento das azeitonas, colhidas e prensadas em poucas horas. Enquanto marcas internacionais costumam estampar nas embalagens apenas a data de envase — escondendo o fato de que a safra pode ser um óleo antigo ou o refugo do mercado europeu —, os rótulos brasileiros exibem com transparência a data de extração do lote.
Apelo ao consumo do azeite gaúcho
Mesmo após bater recorde de produção em 2026, alcançando a marca de 1.434.000 litros no país — dos quais mais de 1,1 milhão tiveram origem nos olivais do Rio Grande do Sul —, a olivicultura nacional ainda atende apenas cerca de “2% do consumo nacional”. O setor enfrenta uma concorrência desleal diante de produtos adulterados comercializados na faixa de R$ 25 a R$ 30, enquanto o custo de produção de um extra virgem autêntico fixa seu valor médio na gôndola em torno de R$ 75. Ao encerar sua participação no programa da Rádio Acústica FM, o presidente do Ibraoliva apelou à conscientização do público em defesa da saúde e do desenvolvimento regional. “Consumam o azeite brasileiro e o gaúcho”, concluiu Flávio Obino.



