A escalada do conflito envolvendo o Irã e seus desdobramentos no mercado internacional do petróleo já começa a gerar reflexos no abastecimento de combustíveis no Brasil. No Rio Grande do Sul, o impacto tem sido sentido especialmente na logística de distribuição do óleo diesel, em um momento de alta demanda provocado pela colheita agrícola.

Em entrevista, o presidente do Sindicato Intermunicipal do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes do Estado do RS (Sulpetro), João Carlos Dal’Aqua, afirmou que o setor vive um cenário de incerteza e pressão na cadeia de abastecimento, embora não haja, até o momento, desabastecimento generalizado.
Segundo ele, o aumento das tensões internacionais elevou o preço do barril de petróleo no mercado global, o que impacta diretamente a importação de diesel para o Brasil. “O barril saiu de pouco mais de 60 dólares para perto de 90 ou 100 dólares. Com essa instabilidade, muitas empresas que traziam diesel importado acabaram suspendendo as operações, porque o preço interno praticado hoje não acompanha essa alta”, explicou.
Dal’Aqua destacou que parte do abastecimento nacional depende da produção da Petrobras, que mantém contratos com distribuidoras. Nesse contexto, postos e empresas que possuem contratos firmados tendem a ser atendidos com prioridade, enquanto clientes sem vínculo comercial direto podem enfrentar mais dificuldade para adquirir o produto.
Outro fator que pressiona o mercado é o aumento repentino da procura. Conforme o dirigente, distribuidores já registram uma demanda cerca de 30% maior que o habitual, impulsionada por empresas e produtores que buscam formar estoques diante da incerteza internacional.
No Rio Grande do Sul, a situação é agravada pelo período de colheita, quando o consumo de diesel cresce significativamente no campo. O dirigente observa que a combinação entre maior procura e limitações logísticas acaba provocando atrasos ou restrições na distribuição.
Apesar da tensão no mercado, Dal’Aqua afirma que não há falta generalizada de combustível. “Não existe um desabastecimento no país neste momento. O que ocorre é um estresse logístico e uma demanda muito elevada em algumas regiões, especialmente aqui no Estado, em função da safra”, ressaltou.
O presidente do Sulpetro também comentou que a política de preços da Petrobras influencia diretamente o comportamento do mercado. Como a estatal ainda não repassou integralmente a alta internacional para o preço interno, importadores privados tendem a suspender operações, já que não conseguem competir com o valor praticado no país.
Para o dirigente, o principal desafio do momento é a instabilidade provocada pelo cenário internacional. “Quando surgem conflitos dessa magnitude, todo o mercado reage. O empresário tenta se proteger, formar estoque, e isso gera uma pressão adicional na cadeia de abastecimento”, afirmou.
Dal’Aqua avalia que o setor aguarda os próximos desdobramentos do conflito para entender se a situação tende a se normalizar ou se haverá impactos mais duradouros no mercado de combustíveis.
Confira a fala do presidente da Sulpetro sobre o abastecimento de combustíveis



