A possibilidade de reintrodução do sarampo no Brasil em razão do intenso fluxo de viajantes durante a Copa do Mundo acendeu um alerta entre autoridades de saúde e especialistas. O tema foi abordado neste sábado (27) pelo médico pediatra Benjamin Roitman, coordenador da Câmara Técnica de Pediatria do Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers), durante entrevista concedida à imprensa.

Segundo Roitman, as câmaras técnicas do Cremers são responsáveis por analisar questões específicas de cada especialidade médica e fornecer pareceres técnicos baseados em evidências científicas para subsidiar decisões e orientações em todo o Estado.
O médico destacou que, neste momento, uma das principais preocupações está relacionada ao sarampo, doença que já havia sido eliminada no Brasil, mas que voltou a registrar casos em anos anteriores devido à queda da cobertura vacinal. Conforme explicou, o país recuperou recentemente o certificado de eliminação da doença, mas o cenário internacional exige atenção.
“Atualmente há milhares de casos de sarampo registrados nos Estados Unidos, México e Canadá, justamente países que recebem grande número de turistas em função da Copa do Mundo. Existe o receio de que pessoas possam contrair o vírus durante a viagem e trazê-lo de volta ao Brasil”, alertou.
De acordo com Roitman, a baixa adesão às campanhas de vacinação é o principal fator responsável pelo ressurgimento de doenças consideradas controladas ou eliminadas. O fenômeno não ocorre apenas no Brasil, mas em diversos países, especialmente após a pandemia de Covid-19, quando aumentaram os questionamentos e a desinformação sobre vacinas.
O pediatra ressaltou que a redução da cobertura vacinal afeta não apenas a imunização contra a Covid-19, mas também vacinas tradicionais do calendário nacional, como a tríplice viral, que protege contra sarampo, rubéola e caxumba.
“A vacinação cria uma barreira coletiva de proteção. Quando a maioria das pessoas está imunizada, o vírus encontra mais dificuldade para circular e causar surtos”, explicou.
Roitman também esclareceu uma dúvida comum da população. Embora pessoas que realmente tiveram sarampo desenvolvam imunidade natural, muitas vezes há confusão entre doenças com sintomas semelhantes, como rubéola e catapora. Por isso, na dúvida, a recomendação é buscar orientação médica e manter a carteira de vacinação atualizada.
O coordenador da Câmara Técnica de Pediatria reforçou que a preocupação não está relacionada a um aumento de casos dentro do Brasil neste momento, mas sim ao risco de importação do vírus por viajantes que retornam de regiões com surtos ativos.
A orientação das autoridades de saúde é que crianças e adultos verifiquem sua situação vacinal e, caso necessário, atualizem a imunização. Segundo o especialista, manter as vacinas em dia continua sendo a forma mais eficaz de prevenir o retorno do sarampo e de outras doenças imunopreveníveis ao país.



