Na edição desta quinta-feira (21) do programa Primeira Hora, o alarmante crescimento dos casos de feminicídio e violência doméstica no Rio Grande do Sul foi tema de um debate, contando com a participação especial da Dra. Silza Tramontina, psiquiatra da infância e adolescência e conselheira do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (CREMERS). Durante a entrevista, a convidada destacou a realização de um fórum promovido pela entidade para debater as estratégias integradas de enfrentamento a essa realidade e ressaltou que o problema deve ser tratado urgentemente como uma crise de saúde pública.

Identificação precoce no ambiente familiar
Além da atuação direta no setor de saúde, a Dra. Silza enfatizou o papel crucial das instituições de ensino como redes de proteção essenciais para detectar os primeiros sinais de abuso intrafamiliar, já que os reflexos da violência doméstica costumam se manifestar fortemente no comportamento dos jovens. Ela explicou que as crianças são testemunhas ativas desse cenário de dor e que “a escola sabe tudo que se passa na casa dos alunos… As crianças falam nas escolas, falam para a professora, para um colega. Então, se tem violência dentro de casa, se a mãe apanha, eles sabem, as crianças sabem, elas presenciam tudo isso”.
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Responsabilidade no combate ao feminicídio
Segundo a Dra. Silza, os médicos não devem hesitar ou se omitir diante de sinais clínicos incongruentes com os relatos das pacientes, desmistificando a ideia de que a notificação exige uma certeza absoluta dos fatos criminosos antes de ser formalizada. A psiquiatra foi categórica ao pontuar que “os profissionais de medicina possuem uma responsabilidade importante técnica, ética e legal no diagnóstico precoce da violência, porque essa mulher vai chegar numa consulta com marcas da violência… lesões repetidas com explicações que não são muito consistentes”, complementando que a dúvida não justifica o silêncio, uma vez que “a gente não precisa ter certeza, a gente precisa ter uma suspeita. Quem vai investigar é a polícia, não é o médico”.
Preparação profissional
Por fim, a conselheira do Cremers apontou para a necessidade de uma capacitação continuada da classe médica, preparando os profissionais para lidarem com a alta complexidade que envolve o atendimento psicológico e social e indo muito além do mero tratamento de lesões físicas superficiais. Para ela, o acolhimento estruturado deve funcionar como um canal de fortalecimento psicológico, estimulando a emancipação da paciente, mas mantendo a intervenção institucional ativa caso a vítima se encontre impossibilitada de reagir por conta do ciclo de opressão em que está inserida.



