TRANSPORTES

Crise do diesel pressiona transporte e pode afetar abastecimento no RS, alerta Fetransul

Francisco Cardoso insumos já pesam 40% dos custos e exige renegociação de contratos

A Federação das Empresas de Logística e Transporte de Cargas no Rio Grande do Sul (Fetransul) A crise no abastecimento de combustíveis já começa a impactar serviços e elevar custos no Rio Grande do Sul. Em entrevista concedida nesta quarta-feira (25), o presidente da Fetransul, Francisco Cardoso, afirmou que o setor de transporte rodoviário enfrenta um cenário crítico, com reflexos diretos na operação das empresas e riscos para a cadeia de suprimentos.

Diesel dispara em Camaquã e acompanha tendência nacional de alta nos combustíveis
Foto: Bruno Bonilha/Acústica FM

Segundo Cardoso, o aumento do preço do diesel — principal insumo do setor — já provoca efeitos práticos, como a redução de serviços em municípios da região sul, incluindo Pelotas e São Lourenço do Sul: 

“Já estamos sentindo no bolso e vendo paralisações pontuais. O diesel representa cerca de 40% dos custos operacionais, então qualquer variação impacta diretamente as tarifas”, destacou.

Diante do cenário, a orientação da federação às transportadoras é renegociar contratos para recompor os custos e manter a operação: 

“Não há como interromper a estrutura. O transporte não parou nem durante a pandemia nem nas enchentes. Agora, o risco não é paralisação por decisão, mas por falta de combustível”, alertou.

O dirigente também chamou atenção para a dependência do diesel importado e a defasagem entre os preços praticados no Brasil e no mercado internacional. Segundo ele, sem medidas emergenciais, há possibilidade de desabastecimento. Entre as propostas defendidas pela entidade está a redução temporária de tributos, como o ICMS, para conter os impactos.

Em relação às discussões sobre subsídios ao diesel, Cardoso afirmou que ainda não há definição por parte dos estados, mas reforçou a necessidade de ação coordenada entre governos: 

“É preciso analisar todas as alternativas para evitar tanto o aumento excessivo de custos quanto a falta de produto”, pontuou.

O presidente da Fetransul também mencionou preocupação com possíveis distorções na cadeia de preços. De acordo com ele, houve aumento acelerado nos valores repassados por distribuidoras e postos, o que motivou investigações por órgãos de defesa do consumidor: 

“É importante avaliar toda a cadeia para identificar eventuais abusos”, disse.

Outro ponto abordado foi o impacto do custo logístico na economia regional, especialmente em setores como o agronegócio, em plena colheita de arroz. O encarecimento do transporte, somado ao alto preço do combustível, pressiona os produtores e pode refletir no preço final ao consumidor.

Cardoso reforçou que as empresas seguem operando normalmente e destaca que o transporte rodoviário representa 85% da movimentação de cargas no Estado. A Fetransul tem o objetivo de garantir que ele continue funcionando, com qualidade e segurança.

Presidente da Fetransul ressalta a importância do equilíbrio de preços para setor rodoviário