POLÍCIA

Delegado Félix Rafanhin detalha caso de golpes feitos por revenda de veículos em Pelotas

O delegado descreveu minuciosamente o modus operandi do suspeito, destacando que ele oferecia valores atraentes pelos veículos, muitas vezes iguais ou superiores à tabela FIPE, mas condicionava o pagamento ao parcelamento

Em entrevista exclusiva à rádio Acústica FM durante o programa Primeira Hora desta quarta-feira (18), o delegado Félix Rafanhin, titular da Primeira Delegacia de Polícia de Pelotas, detalhou a complexa investigação que culminou na prisão do proprietário da Bertoldi Veículos. Segundo a autoridade policial, o caso choca pela longevidade da empresa, que possuía mais de 30 anos de atuação e uma fama de idoneidade que foi utilizada para atrair as vítimas. Rafanhin explicou que o esquema consistia em uma “espiral de fraudes” iniciada em meados de 2024, mas que ganhou um impulso drástico no final de 2025, quando o empresário passou a adotar uma busca ativa por vendedores em redes sociais, como o Facebook, para alimentar o fluxo de caixa da loja.

Delegado Félix Rafanhin detalha caso de golpes feitos por revenda de carros em Pelotas
Foto: Divulgação

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O delegado descreveu minuciosamente o modus operandi do suspeito, destacando que ele oferecia valores atraentes pelos veículos, muitas vezes iguais ou superiores à tabela FIPE, mas condicionava o pagamento ao parcelamento. Para dar uma falsa sensação de segurança aos clientes, o investigado apresentava um imóvel como garantia contratual, alegando que a propriedade valia R$ 15 milhões. No entanto, o delegado Rafanhin revelou que esse lastro era fictício: o imóvel estava supervalorizado, não pertencia livremente ao empresário e já estava empenhado ou prometido a terceiros. De posse dos veículos e das procurações, o dono da revenda repassava os carros rapidamente por valores abaixo do mercado, sem honrar as parcelas devidas aos antigos proprietários.

Delegado afirma que o prejuízo supera o valor de R$ 1 milhão

Durante a conversa, Félix Rafanhin enfatizou que a Polícia Civil já contabiliza 27 vítimas apenas na Primeira DP, distribuídas em 11 procedimentos policiais que já foram encaminhados ao Poder Judiciário. O prejuízo estimado é vultoso, com relatos de que o rombo total pode ultrapassar a marca de R$ 1 milhão, sendo que um único inquérito envolvendo sete vítimas somou quase R$ 400 mil em perdas. O delegado ressaltou que, embora a pena para estelionato varie de um a cinco anos, o Judiciário deverá considerar o agravante de crimes continuados e a possível existência de vítimas idosas ou com restrições de saúde, o que pode elevar a punição.

Quanto ao destino dos veículos já vendidos a terceiros, o delegado esclareceu que a polícia foca na esfera criminal, enquanto o direito de propriedade será resolvido judicialmente. Ele pontuou que os compradores que possuem comprovantes de pagamento e agiram de boa-fé não respondem por crime, a menos que se comprove algum vínculo de “laranja” com a fraude. Rafanhin concluiu informando que o empresário se entregou, passou por audiência de custódia e permanece detido no Presídio Regional de Pelotas, enquanto a empresa teve suas atividades encerradas definitivamente pela perda total da confiança no mercado local.

Tags: Pelotas, Polícia