saúde

Diagnóstico incorreto de pneumonia pode mascarar câncer de pulmão, alerta Dr. Marcelo Mallmann

Pneumologista Dr. Marcelo Mallmann explicou como erros em exames de urgência atrasam investigações graves em idosos e fumantes

Na manhã desta sexta-feira (02), o programa Primeira Hora recebeu nos estúdios da Rádio Acústica FM o pneumologista Dr. Marcelo Mallmann para uma conversa esclarecedora sobre saúde respiratória, diagnósticos de urgência e uso consciente de medicamentos. Durante a entrevista conduzida pelo apresentador Fábio, o especialista abordou os mitos que cercam a “pneumonia silenciosa”, esclarecendo que o termo é apenas uma expressão popular sem respaldo na literatura médica. Segundo o médico, a dor no peito só se manifesta quando a infecção atinge a pleura visceral, enquanto quadros centrais ou não consolidativos podem passar sem dor pontual. A suspeita clínica inicial depende fundamentalmente da ausculta pulmonar atenta feita pelo profissional de saúde ao comparar os ruídos entre os dois lados do tórax, que frequentemente evoluem a partir do agravamento de resfriados ou gripes prévias acompanhadas de febre alta e falta de ar.

Diagnóstico incorreto de pneumonia pode mascarar câncer de pulmão, alerta Dr. Marcelo Mallmann
Foto: Alice Campos

Falhas na interpretação de exames 

Aprofundando os desafios do atendimento de urgência, o Dr. Marcelo alertou para a elevada taxa de erro no diagnóstico da doença em prontos-socorros, citando um estudo retrospectivo norte-americano realizado em 115 hospitais que revelou que 57% dos pacientes diagnosticados com pneumonia na verdade não apresentavam a condição. De acordo com o pneumologista, o problema ocorre porque os exames radiológicos digitais ficam prontos em minutos e acabam sendo interpretados precocemente por médicos plantonistas antes do laudo radiológico formal. Essa falha de avaliação não apenas gera prescrições inadequadas, mas também representa um risco gravíssimo ao mascarar neoplasias pulmonares em idosos e fumantes. “Em pacientes idosos ou fumantes, a lesão vista no raio-X pode ser, na verdade, um câncer de pulmão”, alertou o especialista, ressaltando que tratar erroneamente a imagem como uma infecção repetida pode atrasar em até 60 dias a investigação correta do tumor.

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Prescrição excessiva de corticoides, antibióticos e pressão na pediatria

As consequências diretas desses equívocos refletem-se no consumo desenfreado de fármacos, um fenômeno visível no Rio Grande do Sul, onde duas das maiores empresas em faturamento são redes de farmácias. O médico enfatizou que o consenso da Sociedade Europeia de Pneumologia preconiza indicação zero de corticoides (como prednisona, prednisolona e dexametasona) em pneumonias ordinárias, restringindo seu uso a casos gravíssimos em UTI. Além disso, destacou a forte pressão de pais por antibióticos em emergências pediátricas diante de febres recentes de 24 a 48 horas, ignorando que a grande maioria das infecções infantis no inverno possui origem estritamente viral e não responde a antimicrobianos. “Segundo o consenso da Sociedade Europeia de Pneumologia, corticoides têm indicação zero em pneumonias ordinárias”, pontuou o médico ao defender uma postura mais criteriosa nas prescrições urgentes.