Crise do diesel

Diesel já falta em 170 cidades do RS e ameaça serviços e colheita

Ao menos quatro municípios gaúchos decretaram situação de emergência

Pelo menos 170 municípios do Rio Grande do Sul enfrentam desabastecimento de diesel, o que compromete a prestação de serviços públicos essenciais e coloca em risco a safra agrícola. Segundo levantamento da Federação das Associações de Municípios do Estado (Famurs), divulgado nesta quinta-feira, 26, o problema atinge 43% das 392 cidades que participaram da pesquisa. O cenário forçou prefeituras a priorizar o atendimento em áreas como saúde, transporte escolar e segurança.

Diesel já falta em 170 cidades do RS e ameaça serviços e colheita
Foto: Marcello Casal jr Agência Brasil

A escassez de combustível, que começou de forma isolada, avançou rapidamente pelas regiões Central, Norte, Missões e Alto Uruguai. De acordo com a presidente da Famurs e prefeita de Nonoai, Adriane Perin de Oliveira, os estoques municipais devem durar, em média, apenas 15 dias. A entidade orienta que os prefeitos avaliem reservas para evitar a paralisação total da máquina pública, enquanto monitoram o crescimento constante da lista de localidades afetadas.

A gravidade da situação levou quatro municípios da região central — Formigueiro, Tupanciretã, São Sepé e Júlio de Castilhos — a decretarem situação de emergência. A medida excepcional permite que as administrações adotem ações urgentes para manter ambulâncias circulando e garantir a coleta de lixo. Em Júlio de Castilhos, o governo local também denunciou preços abusivos, relatando que o litro do diesel chegou a ser comercializado acima de R$ 8,69.

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Falta do diesel gera preocupação no setor de agronegócio

O setor agropecuário é o mais vulnerável ao desabastecimento, pois a crise coincide com o auge da colheita de arroz e o início da safra de soja. O prefeito de Formigueiro, Cristiano Cassol, relata que a manutenção de estradas e o escoamento da produção estão prejudicados. Para poupar combustível, a prefeitura reduziu em 50% as atividades das secretarias de Obras e Agricultura, priorizando o deslocamento de pacientes e o transporte de alunos.

Especialistas e gestores apontam que a crise do diesel resulta de uma combinação entre a alta do petróleo no mercado internacional e a dependência brasileira de importações. A logística rodoviária do interior gaúcho, mais distante dos centros de distribuição, sofre primeiro com os atrasos nas entregas. Além da falta do produto, o aumento nos custos pressiona o orçamento público, gerando pedidos de reequilíbrio financeiro em contratos de serviços terceirizados.

A Famurs informou que pretende levar o problema ao governo estadual e cobrar providências da Petrobras e da Agência Nacional do Petróleo (ANP). O objetivo é garantir a regularização do fluxo de abastecimento para evitar perdas econômicas irreparáveis no campo. Até o momento, a ANP não se manifestou sobre as dificuldades relatadas pelos municípios gaúchos. A expectativa é que o número de cidades em emergência aumente nos próximos dias.

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