Saúde

Dor nos testículos levou a diagnóstico de prostatite em paciente de 33 anos

Dr. Rafael Fraga explica que Inflamação da próstata pode causar dor testicular e exige tratamento

Em entrevista, nesta terça-feira (03), o urologista Dr. Rafael Fraga contou o caso de um homem de 33 anos procurou atendimento médico na semana passada, com dor nos dois testículos e ardência após ejacular. Segundo o especialista, o exame físico indicou aumento e sensibilidade da próstata, o que levou ao diagnóstico de prostatite, uma inflamação da glândula comum em adultos jovens.

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Foto: Alice Campos/Acústica FM

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De acordo com Fraga, a dor testicular exige investigação cuidadosa. Em homens nessa faixa etária, é preciso descartar câncer de testículo, cálculo renal e infecções locais. No caso atendido, não havia nódulos nos testículos nem sinais de infecção. O toque retal mostrou próstata aumentada e dolorida, mas sem caroços, o que afastou a suspeita de tumor.

A prostatite é uma inflamação da próstata. Pode ser causada por infecção urinária, bactérias como a clamídia ou por trauma repetitivo na região pélvica. Atividades como andar longos períodos de bicicleta, cavalo ou trator aumentam o risco. Em geral, os sintomas mais comuns são ardência ao urinar, jato fraco, aumento da frequência urinária e desconforto na parte baixa do abdome. Dor nos testículos é menos frequente.

Tipos da doença

Há quatro formas principais. A prostatite aguda é a mais intensa. Pode causar febre alta e até retenção urinária. A crônica dura mais de dois meses. Existe ainda a forma assintomática, descoberta em exames de rotina, e a síndrome da dor pélvica crônica, que provoca dor persistente e pode interferir na vida sexual.

Tratamento prolongado

O tratamento é feito com antibióticos por período prolongado, de 30 a 90 dias. A cápsula que envolve a próstata dificulta a penetração do medicamento, o que exige uso contínuo. Em alguns casos, o médico prescreve remédios para melhorar o fluxo urinário, além de anti-inflamatórios.

Um efeito colateral possível é a chamada ejaculação retrógrada. O sêmen, em vez de sair pelo pênis, retorna para a bexiga e é eliminado na urina seguinte. O quadro não representa risco à saúde.

Fertilidade e transmissão

A prostatite não é considerada doença sexualmente transmissível. Não há risco direto de transmissão à parceira. No entanto, pode afetar a fertilidade, sobretudo em homens jovens, quando provoca obstrução parcial do canal por onde passa o esperma.

Risco de cronificação

Quando o tratamento demora a começar, a inflamação pode se tornar crônica. Pequenos cálculos podem se formar no interior da próstata e dificultar a ação do antibiótico. Nesses casos, pode ser necessária cirurgia para retirada do tecido inflamado.

Trabalho e atividade física

A doença não impede o trabalho. Recomenda-se evitar permanecer longos períodos em ambientes frios ou úmidos e reduzir atividades que pressionem a região pélvica. Ciclistas e trabalhadores rurais devem adaptar assentos e equipamentos para diminuir o impacto local.

O diagnóstico precoce aumenta as chances de cura e reduz o risco de complicações. Em caso de dor testicular ou sintomas urinários persistentes, a orientação é procurar avaliação médica.

Tags: prostatite, Saúde, Urologista