Na manhã desta sexta-feira (30), no Dia do Ginecologista, o programa Primeira Hora recebeu a Dra. Sandra Lara Nunes, médica com 25 anos de atuação em Camaquã, para encerrar as ações de conscientização do Outubro Rosa e debater os desafios da saúde feminina. Em palestra promovida pela Liga Feminina de Combate ao Câncer com o tema “Muito Além da Mama”, a especialista abordou a transição da obstetrícia para a ginecologia preventiva e enfatizou que a evolução constante da medicina exige atualização acadêmica rigorosa e condutas amparadas pelas sociedades científicas. Durante a conversa, a médica alertou contra protocolos sem comprovação e reforçou a relevância de diagnósticos embasados em evidências.

Inteligência artificial no consultório, sensibilidade e a soberania do olhar médico
Ao comentar sobre a modernização dos atendimentos de saúde, a convidada compartilhou que utiliza ferramentas de inteligência artificial para automatizar a anamnese em seu consultório, o que otimiza o tempo burocrático e permite focar a atenção no diálogo presencial com as pacientes. No entanto, a ginecologista reforçou que a tecnologia atua estritamente como um suporte operacional e não substitui o raciocínio clínico, o exame físico e a sensibilidade humana no momento do diagnóstico. A médica alertou sobre os perigos da automedicação e da busca por exames sem a devida indicação profissional, reforçando a importância do senso crítico diante das inovações digitais. “A inteligência artificial, por mais que ela reúna uma série de dados, ela não consegue tocar no paciente, ela não tem a sensibilidade que um profissional tem. A ferramenta é ótima, mas ela não substitui o trabalho médico, o estudo ou o julgamento crítico de um artigo científico”, explicou a entrevistada no ar.
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“Quem procura, cura”
Aprofundando as orientações do Outubro Rosa, a Dra. Sandra destacou a relevância da mamografia preventiva anual para mulheres entre 40 e 74 anos, explicando que o objetivo do rastreamento é identificar lesões antes mesmo da presença de sintomas ou nódulos palpáveis. A especialista reforçou que a detecção precoce eleva as chances de cura para até 95%, resultando em tratamentos menos agressivos e com menor impacto na qualidade de vida das pacientes. Durante a entrevista, a médica incentivou a população a superar mitos e o receio dos exames de imagem, lembrando a importância do engajamento com a própria saúde. “O objetivo da mamografia de rastreamento é a detecção precoce, antes que o nódulo mamário seja palpado, pois um nódulo detectado muito cedo nos traz uma taxa de cura de 95% da doença. Existe muito medo do resultado do exame, mas a gente reforça a máxima das palestras da Liga: quem procura, cura”, enfatizou.
Baixa adesão em Camaquã, prevenção primária e fortalecimento do SUS
A ginecologista trouxe dados preocupantes sobre a baixa adesão às mamografias no município, revelando que das cerca de 14 mil mulheres na faixa etária recomendada na cidade, apenas uma pequena parcela realiza o exame anualmente. A médica explicou que os agendamentos pela rede pública podem ser solicitados diretamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) do bairro, destacando a chegada do novo mamógrafo digital de alta resolução no Hospital Nossa Senhora Aparecida. Além do rastreamento, a convidada enfatizou a importância do combate à obesidade e da prática de atividades físicas como medidas essenciais de prevenção primária contra o câncer e doenças cardiovasculares. “O combate à obesidade e enxergá-la como doença reduz o câncer de mama e os riscos cardiovasculares. A liberação de vagas no SUS ocorre todo mês nas UBSs e a comunidade tem um mamógrafo moderno à disposição. O Outubro Rosa não é da Liga nem da médica, é de toda a comunidade camaquense”, finalizou a Dra. Sandra.



