A recente onda de ventos fortes, enchentes e tornados no Brasil voltou a acender o alerta para o impacto das mudanças climáticas no país, em um ano sob influência do El Niño. O choque entre massas de ar com temperaturas diferentes provocado pela chegada de frentes frias causou rajadas de vento superiores a 120 km/h em São Paulo e no Rio de Janeiro. Esse fenômeno, chamado por cientistas de frente de rajada, acontece quando o ar frio e úmido encontra o ar quente e seco, resultando em tempestades severas.

El Niño responsável por desastres nesta semana?
Ao contrário do que declararam algumas autoridades públicas locais, a ventania violenta no Sudeste não teve relação direta com o El Niño. Especialistas do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais explicam que o fenômeno, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, ainda está em fase inicial e deve ganhar força apenas a partir da primavera. No entanto, no Rio Grande do Sul, a sequência contínua de chuvas pesadas e a formação de tornados já apresentam traços da influência do aquecimento oceânico.
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O El Niño altera a circulação dos ventos e o padrão de precipitações no planeta a cada intervalo de dois a sete anos. Quando o Pacífico aquece acima da média, o Sul do Brasil costuma registrar tempestades volumosas e persistentes, enquanto as Regiões Norte e Nordeste enfrentam maior período de seca. O Centro-Oeste e o Sudeste costumam ter regimes de chuva mais irregulares e ondas de calor mais frequentes ao longo dos meses quentes.
Mesmo nos momentos em que o oceano volta à temperatura normal, cientistas reforçam que a causa central para o aumento de eventos extremos segue sendo o aquecimento global provocados pelas emissões de gases estufa. O aquecimento contínuo da atmosfera faz com que episódios de frio ou calor atinjam patamares inéditos. A Organização Meteorológica Mundial alerta que o evento atual do El Niño pode registrar temperaturas oceânicas mais de 2°C acima da média, aumentando o risco de desastres naturais em escala global.




