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Enchente de 2024 agrava ainda mais condição precária da malha ferroviária no RS, aponta governo

Estudo aponta ainda que a movimentação de cargas nesse modal reduziu 50% nos últimos 18 anos

Um estudo encomendado pelo governo do estado, por meio da Portos RS, aponta que houve uma redução de quase 50% na movimentação de cargas nas ferrovias gaúchas nos últimos 18 anos.

Governo RS apresenta estudo sobre ferrovias em encontro da Câmara Temática do Conselho do Plano Rio Grande

O cenário de deterioração das estruturas desse modal de transporte foi agravado pela enchente de maio do ano passado

A extensão concedida pela União à concessionária Rumo Malha Sul é de 3.823 quilômetros. Desses, apenas 1.680 quilômetros estavam em operação até o ano passado.

Após as enchentes, o quadro piorou, e somente 921 quilômetros estão operando atualmente. Também houve a interrupção do transporte de líquidos por ferrovia, em razão dos danos das enchentes ao trecho que realizava a conexão férrea com o restante do país.

Os detalhes do levantamento foram apresentados pelo Piratini nesta quarta-feira, durante reunião da Câmara Temática de Infraestrutura do Plano Rio Grande.

Esse estudo inclui a avaliação da malha atual, pesquisas de mercado e o impacto das enchentes nesse tipo de modal.

“Estamos buscando providências rápidas e soluções para reativar nossas ferrovias, uma vez que, nos últimos anos, perdemos metade da carga transportada pelos trens. Além disso, o custo do frete aumentou devido à maior dependência do transporte rodoviário”, reforçou.

A análise também destacou a  possibilidade de uma economia de, pelo menos, 22% no custo do frete até Rio Grande, se houver investimentos na revitalização do modal.

O levantamento também revela o sucateamento das ferrovias, o baixo aproveitamento para o escoamento de safras e os danos após as enchentes do ano passado, que isolaram as ferrovias gaúchas do restante do país.

A concessão federal à iniciativa privada ocorreu em 1997 para a América Latina Logística (ALL). Em 2015, a ALL fundiu-se com a Rumo, que detém a concessão de 7,2 mil quilômetros de ferrovias nos estados do RS, SC, PR e SP. O contrato de concessão da Rumo Malha Sul (RMS) é válido até 2027.

Em entrevista coletiva, Gabriel Souza defendeu uma mudança neste modelo

“É uma concessão da década de 90, completamente desatualizada e ineficiente. Precisamos de uma nova modelagem da concessão a partir de 2027, mas o Rio Grande do Sul não pode esperar até lá.

A sugestão para separar o turismo ferroviário é fundamental, assim como a necessidade de intervenções rápidas para restabelecer a conexão com o restante do Brasil para o transporte de líquidos, como combustíveis”, destacou Gabriel.

Outro ponto que chama atenção é que, em 18 anos, o modal ferroviário perdeu metade da sua velocidade operacional. Atualmente, tem a quarta menor velocidade média no Brasil: 12 km/h.


Outros dados sobre a malha ferroviária no RS

O estudo aponta que apenas 2% dos fertilizantes do RS são transportados por ferrovia, mesmo sendo uma carga de retorno para o frete de grãos.

Contêineres e produtos siderúrgicos, que representavam 12% da carga em 2013, não são mais movimentados.

Porto de Rio Grande

2013-2023: aumento de 35% no embarque de granéis em navios no Porto de Rio Grande (soja, farelo, milho e trigo).

Por outro lado, o desembarque ferroviário de GSA no Porto do Rio Grande encontra-se essencialmente estagnado, com tendência de queda:

  • Redução de 13% no embarque férreo;

  • O share ferroviário de cargas no Porto do Rio Grande foi de apenas 6% em 2023.

Soluções?

O secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, que participou da reunião remotamente, afirmou que o órgão está articulando com a concessionária a devolução do trecho afetado.

“Estamos trabalhando em uma solução que permita o retorno do trem turístico, além de negociar com a Rumo e considerar o projeto como um todo. Entendemos a importância desse trecho ferroviário não apenas para a economia local, mas para todo o Estado”, ressaltou.

Felipe Ferreira de Ferreira, coordenador regional de Fiscalização Ferroviária da ANTT, também esteve presente e destacou que a ANTT já emitiu mais de 600 autos de infração à concessionária, com mais de 300 relacionados à Malha Sul.

“Sabemos que a ferrovia no Rio Grande do Sul precisa de mais atenção, e isso está sendo cobrado. Há estudos em andamento para redirecionar os trechos ferroviários não utilizados pela empresa”, explicou.

Além da reativação das linhas inoperantes, Gabriel mencionou investimentos necessários, como a criação de um novo trecho entre Santa Maria e São Gabriel, que reduziria a distância para o recebimento de cargas do interior do Estado, especialmente de grãos, no Porto de Rio Grande.

A reunião teve a participação dos secretários de Logística e Transportes, Juvir Costella; do secretário-executivo do Plano Rio Grande, Paulinho Salerno; do presidente da Portos RS, Cristiano Klinger; além de representantes de diversas entidades ligadas ao tema.