saúde

Entenda a lobectomia, cirurgia realizada pelo Papa Leão XIV para remover tumor no pulmão

Especialista explica como a remoção de parte do órgão preserva a função respiratória e previne sequelas

Na manhã desta sexta-feira (16), o programa Primeira Hora recebeu o médico especialista Dr. Cristiano Feijó para abordar os crescentes índices de adenocarcinoma pulmonar, a urgência do diagnóstico precoce e os perigos do uso de cigarros eletrônicos. O convidado ressaltou que o Rio Grande do Sul lidera o ranking nacional com a maior incidência per capita de câncer de pulmão do país, cenário associado historicamente ao cultivo do tabaco e a fatores ambientais. O médico chamou a atenção para a mudança no perfil dos pacientes diagnosticados com o adenocarcinoma, subtipo mais frequente da doença, apontando um avanço significativo dos casos em pessoas jovens, não fumantes e principalmente mulheres em faixa etária próxima aos 40 anos.

Entenda a lobectomia, cirurgia realizada pelo Papa Leão XIV para remover tumor no pulmão
. Foto: Vatican News

Diagnóstico precoce e cirurgia do Papa

Ao detalhar a importância dos exames preventivos de imagem, como a tomografia de tórax, o médico citou o exemplo do Papa Leão XIV, cujo tumor pulmonar foi descoberto casualmente em fase inicial e assintomática, permitindo a realização de uma cirurgia com alta probabilidade de cura. Nesses casos precoces, o tratamento padrão costuma envolver a lobectomia, procedimento cirúrgico que retira o segmento acometido mantendo a função respiratória do paciente, desde que a avaliação prévia de espirometria confirme boa capacidade pulmonar. O médico reforçou que a doença costuma agir de forma silenciosa e que sintomas como tosse persistente com sangue, falta de ar, dor torácica e febre surgem predominantemente em fases adiantadas. “O Papa teve um tumor diagnosticado bem precocemente, então a chance de cura dele é muito grande. Para esse tipo de lesão a gente faz uma lobectomia, que é a remoção de um pedaço do pulmão, e o Pontífice muito provavelmente não terá nenhuma sequela respiratória porque sua função pulmonar era excelente”, pontuou o médico durante a entrevista.

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Perigos do cigarro eletrônico e risco de pneumonite grave

O uso disseminado dos cigarros eletrônicos, popularmente conhecidos como vapes, foi tratado com profunda preocupação pelo convidado, que desmistificou a falsa ideia de que o dispositivo seria menos nocivo do que o fumo tradicional. O especialista advertiu que a alta concentração de nicotina, aliada a componentes químicos não regulamentados pela Anvisa, causa dependência acelerada e lesões inflamatórias severas. Dr. Cristiano frisou que os vapores contendo substâncias como a glicerina podem desencadear quadros agudos de pneumonite, capazes de evoluir rapidamente para insuficiência respiratória grave e internações emergenciais. “Nós temos visto no consultório danos muito piores com o vape do que com o cigarro convencional. Ele pode causar pneumonite, uma inflamação aguda no pulmão que muitas vezes resulta em insuficiência respiratória rápida, levando o paciente diretamente para uma UTI, necessitando de intubação e ventilação mecânica”, alertou.

Prevenção contínua e a importância dos exames de rotina

O especialista reforçou que a população gaúcha precisa manter uma postura proativa na realização de exames preventivos, especialmente diante de qualquer desconforto respiratório atípico ou histórico familiar de neoplasias. O médico destacou que a conscientização sobre os riscos dos dispositivos eletrônicos e a busca por acompanhamento médico regular continuam sendo as ferramentas mais eficazes para salvar vidas e viabilizar intervenções curativas antes da progressão da doença. “Muitas pessoas chegam ao consultório acreditando que o cigarro eletrônico é inofensivo por não ter o cheiro do tabaco, mas o impacto no tecido pulmonar pode ser devastador. Precisamos fortalecer a conscientização e priorizar os exames de imagem preventivos para diagnosticar qualquer alteração ainda na fase inicial”, concluiu o profissional.