Na manhã desta segunda-feira (28), o programa Primeira Hora recebeu Fabrício Braz, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes no Estado do Rio Grande do Sul (Sulpetro) para avaliar o cenário de escassez de combustíveis e a oscilação de preços no mercado regional. Durante a entrevista, a entidade explicou que o desabastecimento atinge de forma mais crítica os estabelecimentos sem contrato direto, como os postos de bandeira branca e os Transportadores Revendedores Retalhistas (TRRs). Com a restrição na oferta, as distribuidoras passaram a priorizar os contratos firmados, elevando os custos e dificultando o acesso ao produto para revendedores independentes em um momento de alta demanda.

Corrida dos produtores aos postos de combustível
A escassez de óleo diesel gera apreensão especial no setor do agronegócio gaúcho, que enfrenta um período crucial para a preparação do solo e o plantio de culturas estratégicas como arroz, soja e fumo na Costa Doce. Diante da dificuldade de fornecimento via TRR, produtores rurais estão recorrendo diretamente às bombas dos postos urbanos e rodoviários para abastecer galões e galões de emergência, o que sobrecarrega a cadeia de distribuição local. Para aliviar a pressão nas lavouras, o setor aguarda a confirmação de novos carregamentos importados pela Petrobras, incluindo uma reserva de 14 mil m³ de diesel S500 para o Estado. “O produto S500 é produzido nas nossas refinarias, é o mais consumido no nosso estado porque está nas rodovias e no agro. Pela falta no TRR, produtores acabam indo nos postos para pegar produto com o galãozinho, e aí desabastece outro, porque a cadeia é uma só”, apontou Fabrício.
Falta de transparência na cadeia
Durante a transmissão, Fabrício destacou as limitações do sindicato no monitoramento em tempo real da navegação de navios petroleiros e do volume estocado nos terminais marítimos e refinarias. A entidade explicou que a avaliação do abastecimento depende dos dados repassados periodicamente pelas próprias distribuidoras e do retorno prático fornecido pela revenda na ponta final. Essa dependência de informações dificulta a previsibilidade do mercado e impede que o revendedor repasse prazos concretos de normalização aos consumidores do interior. “A nossa informação maior sempre é das distribuidoras que fornecem para os postos. Eles que nos repassam como está a compra e os estoques. A gente depende muito da informação correta das distribuidoras e também do entendimento da nossa revenda de como ela está recebendo o produto”, explicou.
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Defasagem nos preços, subsídios e projeção de reajustes
Além dos problemas de logística e entrega, a variação diária nos custos de aquisição e a manutenção de preços represados via subsídios estatais elevam a incerteza do setor de combustíveis. A entidade destacou que a margem de defasagem acumulada em produtos como a gasolina, o gás e o diesel não poderá ser sustentada por longo prazo pelas refinarias e pelo governo federal. A expectativa do mercado é de que haja ajustes significativos nos valores praticados nas refinarias nas próximas semanas. “A variação do custo é diária, está muito instável a situação do preço no mercado, principalmente essa diferença e defasagem. Não tem como segurar esse subsídio por muito mais tempo. Nós estamos com subsídio em todos os produtos, então a gente está com uma defasagem muito alta segurando o preço nacional”, concluiu Fabrício Braz.





