A Secretaria da Saúde (SES) reforça a determinação do Ministério da Saúde (MS), divulgada na segunda-feira (08), de suspender temporariamente a estratégia de vacinação contra a dengue com a vacina produzida pelo Instituto Butantan. A medida tem caráter preventivo e foi adotada após a identificação de raros eventos adversos após a vacinação, cuja relação com o imunizante ainda está sendo investigada.

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De acordo com informações do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), o Rio Grande do Sul já recebeu 45.220 doses da vacina do Butantan. Do total, cerca de 15 mil foram aplicadas em trabalhadores da área da saúde – único público para o qual está sendo destinado o imunizante no RS.
Quem já recebeu a vacina deve observar seu estado de saúde por até 21 dias após a aplicação. Em caso de sintomas como febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura, sonolência excessiva, sinais de desidratação ou piora do estado geral, é importante procurar atendimento médico imediatamente. Após esse período, não há mais componente ativo da vacina detectável no organismo.
A SES reforça que a estratégia de enfrentamento da dengue no Sistema Único de Saúde (SUS) segue ativa com a vacina Qdenga, produzida no Japão. O imunizante continua sendo oferecido normalmente em todos os municípios para crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos, público definido pelo MS. A orientação é que os responsáveis procurem as unidades de saúde para manter a vacinação em dia.
Suspensão da vacinação
A vacina do Butantan é composta por vírus vivo atenuado e foi incorporada ao SUS no início de 2026 com o objetivo de reduzir casos graves e hospitalizações por dengue. Antes disso, o imunizante passou por todas as etapas de avaliação exigidas pelos órgãos reguladores, com resultados que demonstraram sua segurança e eficácia. Segundo o Butantan, a vacina apresentou eficácia de 79,6% contra a doença e de 89% para casos graves.
A decisão de descontinuidade temporária não invalida a eficácia da vacina. Quem recebeu o imunizante mantém proteção contra os quatro sorotipos da dengue. O risco identificado é raro. A maioria dos sintomas relatados é leve ou moderada e desaparece em poucos dias. Conforme a bula, os efeitos adversos que podem ocorrer em parte dos vacinados incluem dor de cabeça, dores no corpo, dor nos olhos, manchas na pele, cansaço extremo, coceira, náusea, sensibilidade à luz e calafrios.
Contudo, de acordo o MS, foram registrados 42 casos no país com sinais de alerta, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos. Entre eles, há três casos classificados como graves, incluindo dois óbitos (ambos no Estado de São Paulo). Ao todo, já foram aplicadas mais de 501 mil doses em todo o Brasil desde o início da estratégia.
O MS reforça que continuam as investigações sobre a existência ou não de relação causal direta entre a vacina e os casos registrados. A suspensão da aplicação dos imunizantes é uma medida temporária e preventiva. Isso significa que não se pode afirmar que os óbitos tenham sido causados pela vacina. Esse trabalho envolve também a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, e novas orientações poderão ser divulgadas conforme o avanço das análises.
O que muda
Com a decisão do MS, a situação é a seguinte:
- a vacinação com o imunizante do Butantan está temporariamente suspensa em todo o país;
- novas doses não devem ser aplicadas até nova orientação oficial;
- as vacinas não devem ser descartadas, devendo permanecer armazenadas sob refrigeração adequada;
- haverá monitoramento intensivo de pessoas vacinadas nos últimos 21 dias.
As medidas buscam garantir a segurança da população enquanto especialistas analisam os dados e a relação entre risco e benefício do imunizante.
Orientações para recém-vacinados
Pessoas que receberam a vacina contra a dengue produzida pelo Instituto Butantan devem ficar atentas ao surgimento de sintomas nos primeiros 21 dias após a aplicação. Nesse período, é importante observarem sinais que podem ser semelhantes aos da dengue, tais como:
- febre;
- dor de cabeça ou atrás dos olhos;
- dores no corpo e nas articulações;
- náuseas ou vômitos;
- e manchas vermelhas na pele.
Também é fundamental reconhecer os sinais de alerta, que indicam a necessidade de atendimento imediato:
- dor abdominal intensa e contínua;
- vômitos persistentes;
- tontura, desmaio ou sensação de fraqueza;
- sangramentos (nas gengivas ou nariz, por exemplo);
- e sonolência, irritação ou piora do estado geral
Caso o indivíduo vacinado apresente esses sintomas, deve procurar uma unidade de saúde para avaliação, informando a data em que recebeu o imunizante. A SES reforça que, em caso de qualquer piora ou sinal de gravidade, a busca por atendimento deve ser imediata.
Prevenção continua essencial
Além da vacinação, a SES reafirma que a principal forma de prevenir a dengue continua sendo o combate ao mosquito Aedes aegypti, com medidas como:
- eliminar focos de água parada;
- manter caixas d’água fechadas;
- limpar calhas e recipientes;
- e cuidar do ambiente doméstico.
Dengue no RS
Neste ano, o Rio Grande do Sul já registrou 2.038 casos de dengue, incluindo três óbitos de pessoas residentes em Guaporé, Jacutinga e Novo Hamburgo. Os dados mostram queda em comparação ao mesmo período do ano passado, quando o Estado já havia confirmado quase 50 mil casos e 47 mortes. Ao longo de 2025, o RS registrou 52,7 mil casos confirmados e 53 óbitos pela doença.
Secom RS



