Uma fábrica de hidrogênio e amônia verde será instalada no Distrito Industrial de Rio Grande a partir do segundo semestre de 2026. O empreendimento é da empresa paulista Fontes Verdes, que prevê investimento inicial de R$ 220 milhões, geração de empregos e produção voltada à cadeia de fertilizantes de baixo carbono.

A confirmação ocorreu na tarde de terça-feira (13), durante visita técnica dos empresários à prefeitura e à área onde será construída a unidade. A planta ocupará um terreno de 30 hectares e integra um projeto que pode alcançar até R$ 1,5 bilhão ao longo de três fases.
Na primeira etapa, o investimento será de R$ 220 milhões. Segundo a empresa, mais de 60% dos recursos serão destinados à compra de equipamentos de fornecedores internacionais.
A construção está prevista para começar ainda em 2026 e deve gerar cerca de 80 empregos diretos na fase de obras. Após a entrada em operação, a estimativa é de 60 postos de trabalho permanentes.
As primeiras contratações para a fase de implantação devem ocorrer até o fim deste semestre, após a conclusão dos processos de licenciamento e aprovação dos projetos.
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Capacidade produtiva e uso da amônia verde
A unidade terá capacidade inicial para produzir cerca de quatro mil toneladas de amônia verde por ano. O produto é utilizado na fabricação de fertilizantes de baixo carbono, empregados principalmente nas lavouras de soja e milho.
De acordo com o diretor de Meio Ambiente da Portos RS, Henrique Ilha, a chegada da nova indústria tende a fortalecer a produção de fertilizantes no Distrito Industrial, com impacto direto sobre empresas e produtores rurais da região.
Projeto avança após análise do município
A Fontes Verdes informou que avaliava o potencial de Rio Grande desde dezembro. Com a decisão formalizada, o projeto entra agora nas etapas finais de licenciamento ambiental e preparação para a implantação.
A empresa atua no setor desde 2015 e tem foco em soluções ligadas à transição energética e à redução de emissões na indústria química.
Transição energética e impactos ambientais
A produção de hidrogênio e amônia verde está associada à transição energética, que busca substituir fontes fósseis por alternativas renováveis e com menor emissão de gases de efeito estufa.
O hidrogênio verde é produzido por meio da eletrólise da água, processo que separa hidrogênio e oxigênio com o uso de energia elétrica proveniente de fontes renováveis. De acordo com especialistas, apesar da alta eficiência energética, o método exige água de alta qualidade, o que impõe desafios ambientais e demanda planejamento e controle rigorosos.
A amônia verde é obtida a partir do hidrogênio verde combinado ao nitrogênio retirado do ar, por meio do processo de Haber-Bosch. A principal diferença em relação à amônia convencional está na origem do hidrogênio, que, quando produzido com energia limpa, reduz de forma significativa as emissões de dióxido de carbono.





