A superfície do asfalto da faixa de pedestres da avenida Olavo Morais, em Camaquã, atingiu 64 °C na tarde desta quarta-feira (4), durante uma semana marcada por alerta vermelho de onda de calor no Rio Grande do Sul. A medição foi feita com um termômetro industrial infravermelho, em ponto exposto ao sol, próximo ao cruzamento com a Presidente Vargas.

Embora o alerta não inclua a Costa Doce gaúcha, moradores também sentem aumento na sensação térmica. No início da tarde, um termômetro instalado na Praça Zeca Netto marcava 35 °C, com sensação térmica próxima de 38 °C. A diferença ficou evidente na comparação entre áreas sem sombra e locais arborizados. Em uma calçada a cerca de 50 metros da faixa de pedestres, protegida por árvores, a temperatura da superfície foi de 30 °C. A temperatura registrada na superfície do estofamento de um carro estacionado no sol também ficou próxima de 60ºC, chegando em 56,6ºC.

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O contraste reforça o efeito das ilhas de calor, fenômeno comum em áreas urbanas com grande concentração de asfalto e concreto e pouca vegetação. Especialistas apontam que o problema tende a se intensificar com as mudanças climáticas.
Em entrevista recente à Rádio Acústica FM, o professor Marcelo Dutra, da Universidade Federal do Rio Grande (Furg) defendeu a necessidade de “naturalizar” as cidades por meio de pequenas estratégias urbanas, como ampliação da arborização e uso de materiais que absorvem menos calor. A ausência de ações para conter as ilhas de calor eleva o consumo de energia elétrica e reduz a qualidade de vida da população.

A onda de calor que atinge diversos estados do país também impulsiona o uso de ar-condicionado como forma de alívio. O consumo excessivo, porém, pressiona a rede elétrica e pesa na conta de luz. Dados do Instituto Nacional de Eficiência Energética (INEE) indicam que edificações residenciais, comerciais e públicas respondem por cerca de 52% do consumo de energia elétrica no Brasil. Desse total, o ar-condicionado representa aproximadamente 47% do consumo no setor comercial e mais de 30% no residencial.
Inmet emite alerta vermelho para onda de calor no Sul
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta vermelho para uma onda de calor que deve atingir 511 municípios do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná até sexta-feira (6). O aviso, de maior gravidade na escala do instituto indica situação de grande perigo.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 6,5 milhões de pessoas vivem nos municípios incluídos no alerta. Em caso de emergência, a Defesa Civil pode ser acionada pelo telefone 199.
De acordo com o Inmet, caracteriza-se onda de calor quando as temperaturas máximas ficam pelo menos 5 °C acima da média histórica por cinco dias consecutivos ou mais, conforme critérios da Organização Meteorológica Mundial (OMM). Para o restante do país, o instituto também prevê temperaturas acima da média ao longo de fevereiro.
O Inmet alerta que ondas de calor elevam o risco de desidratação, exaustão térmica e agravamento de doenças cardiovasculares e respiratórias. Idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas estão entre os mais vulneráveis.
Cansaço excessivo, tontura, lentidão e mal-estar podem indicar dificuldade do organismo em lidar com o calor. Em situações de estresse térmico, o corpo tenta se resfriar por meio do suor e da dilatação dos vasos sanguíneos. Em ambientes muito quentes e úmidos, esse mecanismo perde eficiência, o que pode levar à insolação e a danos aos órgãos.
A recomendação é reforçar a hidratação, evitar exposição ao sol nos horários mais quentes e buscar locais ventilados. Sintomas intensos exigem atendimento médico imediato.




