Crise do diesel

Falta de diesel já ameaça o plantio no Rio Grande do Sul

Farsul denunciou o risco iminente de paralisação nas lavouras

O agronegócio do Rio Grande do Sul enfrenta sua segunda crise de abastecimento de óleo diesel no ano, em um momento decisivo para a economia do Estado: o início da semeadura da safra de verão. Desta vez, o nó logístico mudou de figura. A preocupação central dos agricultores deixou de ser a alta das tarifas e passou a ser a escassez física do insumo nas bombas do interior e nas regiões produtoras de arroz.

Falta de diesel já ameaça o plantio no Rio Grande do Sul
Foto: Agência Brasil

Diante do risco iminente de paralisação nas lavouras, a presidência da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) viajou a Brasília para uma maratona de reuniões de emergência na Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Combustíveis (ANP) e no Ministério de Minas e Energia.

Receba todas as notícias da Acústica no seu WhatsApp tocando aqui!

Mercado livre de diesel desprotegido e defasagem de preços

O cerne do desabastecimento afeta diretamente quem trabalha no campo. Segundo a representação do setor produtivo, a fiscalização da ANP sobre os contratos de Transportadores-Revendedores-Retalhistas (TRRs) atende majoritariamente aos postos urbanos. Os produtores rurais, no entanto, operam 100% no mercado livre, comprando por demanda pré-plantio e colheita, sem garantias contratuais de fornecimento regular. O resultado prático é o sumiço do diesel S500 e a escassez crítica do tipo S10.

Outro gargalo apontado pela entidade é a disparidade do Preço de Paridade de Importação (PPI). Com o valor do produto no mercado interno variando significativamente abaixo da cotação internacional — cerca de R$ 7,00 a R$ 8,00 no Brasil contra R$ 10,00 no exterior —, as importadoras privadas interromperam as compras externas. Como o Brasil depende de 25% a 30% do diesel vindo de fora para suprir o consumo nacional, a conta da defasagem caiu sobre o abastecimento regional.

O gargalo de insumos se soma às incertezas climáticas do fenômeno El Niño, reduzindo a janela agronômica ideal para o cultivo da soja e do arroz, etapas que exigem máxima eficiência técnica e mecânica.

Impasse na cadeia: Refinaria registra sobra de produção

Por outro lado, o Sindicato dos Petroleiros e Petroleiras do Rio Grande do Sul (Sindipetro-RS) contestou a tese de desabastecimento na origem. Em posicionamento oficial amparado em levantamento do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), a entidade destacou que a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), situada em Canoas, produziu volume superior ao consumo estadual no período de janeiro a julho.

Com volume fabricado cerca de 18,5% acima da demanda gaúcha no acumulado do ano — e 21,9% superior no recorte de julho —, a liderança sindical afirma que a Petrobras cumpriu rigorosamente as entregas contratuais. Para a categoria, o afunilamento não está no refinamento, exigindo cobrança de transparência sobre as distribuidoras quanto aos critérios de repasse, cotas e volumes destinados aos consumidores finais do segmento rural.

 

 

Falta de diesel já ameaça o plantio no Rio Grande do Sul
Foto: Agência Brasil

 


 

 

Tags: Agronegócio Gaúcho, ANP combustível, crise do diesel RS, desabastecimento de combustível, Diesel, economia RS, falta de diesel no agronegócio, Farsul Brasília, plantio safra de verão, preço do diesel, Refap Canoas