ECONOMIA

Farsul estima impacto de quase US$ 1 bilhão ao agro gaúcho com tarifas dos EUA

Antônio da Luz afirma que empresas gaúchas podem enfrentar dificuldades para substituir o mercado norte-americano

O economista-chefe da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Antônio da Luz, afirmou nesta segunda-feira (27) que as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros podem causar um impacto próximo de US$ 1 bilhão para o agronegócio gaúcho. A declaração foi dada durante entrevista à Rádio Acústica FM.

Impasse com a União Europeia ameaça exportações do agro gaúcho
Foto: Reprodução

Segundo Da Luz, o Rio Grande do Sul exporta cerca de US$ 11,5 bilhões em produtos do agro para o mercado norte-americano. Desse total, aproximadamente US$ 7,6 bilhões ficaram fora das novas tarifas, mas cerca de US$ 3,7 bilhões seguem sujeitos às sobretaxas anunciadas pelo governo dos Estados Unidos.

Durante a entrevista, o economista criticou a condução das negociações por parte do governo brasileiro e defendeu que o país deveria ter participado de forma mais ativa das discussões comerciais com os Estados Unidos. Na avaliação dele, diversos países buscaram negociações e acordos para reduzir impactos, enquanto o Brasil demorou para atuar diretamente nas tratativas.

Da Luz destacou que setores como madeira, fumo, couro e calçados estão entre os mais vulneráveis às novas tarifas. Ele ressaltou que muitas empresas gaúchas possuem linhas de produção desenvolvidas especificamente para atender o mercado norte-americano, o que dificulta a busca por novos compradores em curto prazo.

O economista também afirmou que substituir o mercado dos Estados Unidos não é uma tarefa simples, devido ao tamanho da economia norte-americana e às características específicas dos produtos exportados. Conforme explicou, itens desenvolvidos para consumidores dos Estados Unidos nem sempre encontram demanda semelhante em outros países.

Sobre as medidas anunciadas pelo governo federal para auxiliar os setores afetados, Da Luz avaliou que subsídios e linhas de crédito podem não ser suficientes para resolver o problema. Segundo ele, a principal solução seria a reabertura do mercado sem as tarifas adicionais, evitando que empresas acumulem endividamento sem garantia de recuperação das vendas.

Ao final da entrevista, o economista alertou para os reflexos da atual conjuntura econômica sobre empresas e consumidores, destacando o elevado nível de endividamento no país e os desafios para manter a atividade econômica em um cenário de juros elevados.

Confira a fala do economista, Antonio da Luz, sobre as tarifas norte-americanas

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