A confirmação de quatro casos de Febre do Nilo Ocidental e uma morte colocou novamente a doença no radar das autoridades de saúde brasileiras. Em 2026, dois casos foram identificados pela primeira vez em São Paulo, nos municípios de Ribeirão Preto e São José do Rio Preto. Outros dois registros ocorreram em Santa Catarina, onde uma mulher de 77 anos morreu após desenvolver complicações neurológicas.

Transmitida principalmente pela picada de mosquitos do gênero Culex, a infecção apresenta um ciclo diferente de doenças como dengue, zika e chikungunya. O vírus circula naturalmente entre mosquitos e aves silvestres, enquanto os seres humanos são considerados hospedeiros acidentais e terminais.
De acordo com informações do Ministério da Saúde, aproximadamente 20% das pessoas infectadas desenvolvem sintomas. Na maioria dos casos, o quadro é leve e pode incluir febre, dor de cabeça, dores no corpo, dor atrás dos olhos, dores articulares e vermelhidão na pele. Essas manifestações podem ser semelhantes às provocadas por outras arboviroses.
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Febre do Nilo possui uma forma mais grave
A maior preocupação está nas formas graves da doença. Cerca de um em cada 150 infectados pode desenvolver manifestações neurológicas, como encefalite e meningite. O risco de complicações é maior entre idosos e pessoas com o sistema imunológico comprometido, segundo o virologista e professor Benedito Antônio Lopes da Fonseca, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP.
Segundo o especialista, até 80% ou mais das pessoas infectadas não apresentam sintomas. Entre os pacientes que desenvolvem manifestações clínicas, os quadros semelhantes à dengue geralmente apresentam melhora em aproximadamente cinco a sete dias. Uma parcela muito pequena, porém, pode evoluir para comprometimento do sistema nervoso central.
Um dos casos registrados em São Paulo ocorreu em Ribeirão Preto. A paciente apresentou manifestações neurológicas e precisou ser investigada pelos médicos. Como havia viajado anteriormente para o Amazonas, inicialmente foram consideradas outras possibilidades, entre elas malária e infecções por vírus comuns naquela região.
A confirmação da Febre do Nilo Ocidental ocorreu após exames laboratoriais. A equipe coordenada por Fonseca analisou diferentes arbovírus e identificou o material genético do vírus no sangue da paciente. Posteriormente, uma amostra do líquor também apresentou resultado positivo, reforçando o diagnóstico e indicando o comprometimento neurológico.
Após permanecer internada para investigação e acompanhamento médico, a paciente apresentou melhora e recebeu alta. Ela continua sendo acompanhada em atendimento ambulatorial até a recuperação completa.
Além dos efeitos neurológicos, a infecção também pode provocar alterações oculares, embora sejam consideradas extremamente raras. Uma delas é a coriorretinite multifocal, inflamação que pode atingir estruturas localizadas no fundo do olho, especialmente em pacientes que já apresentam comprometimento do sistema nervoso central.
O oftalmologista Rodrigo Jorge, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, explica que alterações visuais podem aparecer em quadros mais graves. Confusão mental, rigidez de nuca, fraqueza e mudanças na visão são sinais que justificam avaliação médica.
A presença de coriorretinite, entretanto, não é suficiente para confirmar a infecção pelo vírus do Nilo Ocidental. Segundo o especialista, outras doenças também podem provocar alterações semelhantes. O padrão das lesões, associado aos demais sinais clínicos, pode ajudar os profissionais de saúde na investigação.
Apesar dos registros recentes, especialistas afirmam que o cenário ainda não indica motivo para alarme generalizado. Um dos principais sinais de aumento da circulação viral seria a identificação de uma mortalidade elevada entre aves ou equídeos, o que poderia indicar maior disseminação do vírus no ambiente.
A Febre do Nilo Ocidental, portanto, permanece como uma doença que exige atenção, principalmente diante de casos com sintomas neurológicos e entre pessoas que fazem parte dos grupos mais vulneráveis. A identificação precoce e a investigação adequada são importantes para diferenciar a infecção de outras doenças transmitidas por mosquitos.




