A vereadora de Porto Alegre Comandante Nádia (PL) manifestou preocupação com o aumento dos casos de feminicídio no Rio Grande do Sul, especialmente em períodos de feriados prolongados, como a Páscoa. A parlamentar lembrou que, no feriado de 2025, 11 mulheres foram mortas no Estado, e ressaltou que os índices seguem elevados em 2026.

Segundo ela, somente nos primeiros meses do ano, 24 mulheres já perderam a vida em decorrência da violência doméstica. Durante a entrevista, Nádia destacou que o feminicídio é resultado de um ciclo progressivo de violência, que muitas vezes começa com agressões verbais e físicas mais leves, mas evolui dentro do ambiente familiar:
“É uma violência silenciosa, que acontece dentro de casa e que muitas vezes não é reconhecida pela própria vítima”, afirmou.
A vereadora defendeu a ampliação de políticas públicas voltadas à prevenção, com atuação integrada entre áreas como assistência social, saúde e educação. Para ela, o modelo atual ainda é predominantemente reativo:
“Precisamos sair da lógica de apenas agir depois da violência e passar a identificar sinais de risco antes que o pior aconteça”, pontuou.
Outro ponto enfatizado foi a importância da informação. Conforme a parlamentar, muitas mulheres não denunciam por medo, dependência emocional ou financeira, além da falta de conhecimento sobre os mecanismos de proteção disponíveis:
“Sem registro, não há medida protetiva e nem acompanhamento. Informação é fundamental para salvar vidas”, destacou.
Nádia também relembrou a criação da Patrulha Maria da Penha, iniciativa que, segundo ela, ajudou a suprir lacunas no monitoramento de medidas protetivas. O programa realiza visitas regulares a vítimas e atua na fiscalização do cumprimento das determinações judiciais por parte dos agressores.
A vereadora ainda abordou a necessidade de fortalecimento dos valores familiares e da educação como instrumentos de prevenção à violência. Para ela, o problema é estrutural e atravessa gerações, exigindo mudanças culturais profundas.
Além do impacto social, a parlamentar chamou atenção para o custo econômico da violência intrafamiliar, citando que cerca de 2,4% do PIB brasileiro é gasto com as consequências desse tipo de crime. Recursos que, segundo ela, poderiam ser direcionados a áreas como saúde, educação e infraestrutura.
Ao final da entrevista, em clima de véspera de Páscoa, Nádia deixou uma mensagem de reflexão e esperança às famílias gaúchas, incentivando o diálogo, o respeito e a união como caminhos para a construção de uma sociedade mais segura.



