Mesmo diante das exceções anunciadas pelo presidente Donald Trump (EUA) ao confirmar o tarifaço ao Brasil, o Rio Grande do Sul é o estado mais afetado pela medida norte-americana.

O impacto no cenário econômico gaúcho foi detalhado por dirigentes da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) em entrevista coletiva nesta sexta-feira (1º/08), em Porto Alegre.
A entidade aponta que, apesar de alguns setores terem ficado de fora das sanções, na prática, o efeito sobre a produção industrial gaúcha é mínimo. Entre os produtos excluídos, está a celulose, que representa 8,2% das exportações.
— A situação das empresas e das indústrias que exportam aos Estados Unidos é muito difícil. O Rio Grande do Sul foi o estado mais penalizado entre as indústrias brasileiras “A indústria gaúcha foi uma das mais penalizadas pelas tarifas, mesmo com as exceções anunciadas pelos EUA.
Somos o segundo estado exportador para o mercado norte-americano, só perdemos para São Paulo. Os setores prejudicados empregam milhares de pessoas. São postos de trabalho que poderão ser ameaçados.
Precisamos de medidas para mitigar esse impacto”, afirmou Bier em entrevista coletiva na sede da federação, em Porto Alegre. — declarou o presidente da Fiergs, Cláudio Bier.
O RS terá 85% dos produtos industrializados taxados, tendo em vista que apenas 15% das empresas estão fora da lista das que não serão atingidas pelas tarifas. Os cálculos da entidade preveem impacto em pelo menos 20 mil empregos diretos e uma queda de R$ 1,5 bilhão no PIB estadual.
Inicialmente, o recuo previsto era de R$ 1,92 bilhão, mas o valor foi revisto considerando os 15% da produção gaúcha que ficaram de fora do tarifaço.
Medidas trabalhistas efetuadas pela União semelhantes às adotadas durante períodos críticos, como a pandemia e as enchentes, incluindo a suspensão de contratos de trabalho, banco de horas e reativação do Programa Seguro-Emprego, com possíveis aperfeiçoamentos estão no radar da federação.
Na próxima semana, será realizada uma reunião com centrais sindicais e patronais para que as entidades de trabalhadores também se somem à mobilização
— Vamos ter situações que serão tão preocupantes quanto as vistas na pandemia e na enchente — afirmou Guilherme Scozziero, coordenador do Conselho de Relações do Trabalho da Fiergs.
Questionado pela Acústica FM, o presidente da Fiergs, Cláudio Bier, afirmou que o setor vai reivindicar um valor maior de crédito ao Piratini. Foram disponibilizados pelo governo do Estado, via Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), R$ 100 milhões.
Na próxima terça-feira (5), a entidade realizará reunião com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e com a Secretaria da Fazenda do Estado para tratar dos assuntos.
“Quando nós pedimos esse crédito, ainda tínhamos uma esperança que, no dia 31 de julho, fosse anunciada alguma coisa boa para o Brasil e para o Rio Grande do Sul. Infelizmente, como eu disse, fomos o estado mais afetado. Pedimos para que o Piratini, no mínimo, dobre esses R$ 100 milhões para que as empresas tenham esse fôlego, porque esse é um empréstimo interessante. Ele tem dois anos de carência e mais três anos para pagar — são cinco anos —, com juro subsidiado pelo governo. Então, é uma ferramenta interessante e nós vamos, claro, pleitear mais. Tenho esperança de que vamos conseguir, finalizou Bier.”
Junto ao governo federal, a Fiergs articula outras demandas. Uma delas é a liberação de crédito subsidiado, nos moldes do que foi feito no âmbito estadual.
“Acreditamos que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pode oferecer juros em condições ainda melhores”, afirmou o presidente. A proposta é criar uma linha de financiamento com taxas entre 1% e 4% ao ano, específica para garantir capital de giro às empresas que tiveram suas exportações impactadas, bem como a suas cadeias produtivas.
A Fiergs também vai pleitear o pagamento imediato dos pedidos de ressarcimento de saldos credores de tributos federais, como PIS/Pasep, Cofins e Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), já homologados pela Receita Federal, além de mecanismos para garantir compensações mais ágeis.
Setores mais afetados
Entre os setores mais atingidos pelo tarifaço estão o de produtos de metal — como armas, máquinas e materiais elétricos —, produtos de madeira (que têm 95% do faturamento oriundo da exportação, em sua maioria da empresa Taurus) e o tabaco.
O setor de máquinas agrícolas também depende de peças e componentes eletrônicos vindos dos Estados Unidos, assim como o setor automobilístico brasileiro.




