Política

Fim do 6×1 aprovado? Nova jornada de trabalho tem data para mudar

Saiba o que diz o texto apresentado pelo relator do projeto

A comissão especial da Câmara dos Deputados deve votar nesta quarta-feira (27) o parecer da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a chamada escala 6×1 da jornada de trabalho, modelo atual que permite seis dias de trabalho para um de descanso. O relator do projeto, deputado Léo Prates (Republicanos-BA), apresentou o texto que reduz a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas sem corte nos salários dos trabalhadores. Se aprovada pelo colegiado, a matéria pode seguir para votação no plenário da Casa já na quinta-feira (28).

Fim do 6x1 aprovado? Nova jornada de trabalho tem data para mudar
Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Para entrar em vigor, o texto precisa do apoio de pelo menos 308 deputados e 49 senadores, em dois turnos de votação em cada casa legislativa. A nova redação altera as garantias fundamentais da Constituição, definindo o limite de oito horas diárias e 40 horas semanais. O parecer assegura folga de dois dias por semana, preferencialmente aos domingos, e invalida acordos coletivos antigos que descumpram a nova regra 60 dias após a eventual promulgação da emenda.

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Entenda o que diz a proposta de redução da jornada de trabalho

A redução da jornada de trabalho será feita de forma gradual ao longo de 14 meses para permitir a adaptação do setor produtivo. As primeiras duas horas serão cortadas em até 60 dias após a aprovação final. As duas horas restantes deixam de ser exigidas no prazo de um ano após a primeira etapa. Esse modelo escalonado foi o caminho do meio encontrado pelo Congresso para conciliar as pressões de entidades empresariais, que pediam prazos de adequação, e a pressa do governo federal.

O texto exclui das novas regras os profissionais com diploma de ensino superior que recebem remuneração acima de R$ 20 mil, o equivalente a duas vezes e meia o teto da Previdência Social. Esses funcionários de alta renda não terão direito ao limite de jornada de trabalho nem ao controle de ponto. O relator justificou a medida como uma forma de evitar a contratação de profissionais como prestadores de serviços (a chamada “pejotização”) e dar mais flexibilidade aos contratos de altos salários.

Especialistas em economia avaliam que a mudança exige debates profundos sobre o desempenho do trabalhador e a eficiência das empresas brasileiras. De acordo com analistas, para que a redução de horas não gere inflação ou desemprego, o país precisará investir em inovação, melhoria da infraestrutura e na capacitação da mão de obra. O principal desafio do mercado será manter o mesmo nível de entregas e serviços operando com menos tempo de trabalho disponível na semana.

Tags: Câmara dos Deputados, CLT folgas, direitos do trabalhador, fim da escala 6x1, jornada de trabalho, Léo Prates, mercado de trabalho 2026, nova jornada de trabalho, PEC 6x1, redução de carga horária