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Flexibilização da CNH preocupa Detran e especialistas no RS

Flexibilização reduz exigências e levanta alerta sobre segurança no trânsito, destacam representantes do DetranRS

Mudanças recentes no processo de habilitação de motoristas no Brasil já provocam preocupação entre autoridades de trânsito no Rio Grande do Sul. A flexibilização das regras, com baixas exigências em aulas práticas e teóricas, entrou em vigor em março e ainda não tem dados consolidados. De acordo a diretora-geral adjunta do DetranRS, com Isabel Friski, sinais iniciais indicam fragilidade na formação de novos condutores.

Novas regras para CNH
Foto: Alice Campos | Acústica FM

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Segundo representantes do Detran gaúcho, o novo modelo rompe com um sistema que vigorava há 28 anos, baseado no atendimento exclusivo por Centros de Formação de Condutores (CFCs). Agora, candidatos podem fazer cursos teóricos online e aulas com instrutores autônomos. A mudança, no entanto, dificulta a avaliação imediata dos impactos.

Os primeiros relatos apontam lacunas no aprendizado. Instrutores afirmam que alunos chegam às aulas práticas sem noções básicas de trânsito, como identificação de placas ou regras de sinalização. A formação teórica, em alguns casos, é concluída em poucos minutos, o que levanta dúvidas sobre a qualidade do ensino.

Outro ponto criticado é a redução da carga de aulas práticas. Antes obrigatórias em maior número, elas foram reduzidas ao mínimo. Para técnicos do setor, o tempo atual é insuficiente para preparar um motorista. A tendência, segundo avaliação preliminar, é que candidatos recorram a familiares ou conhecidos para treinar, sem a orientação adequada.

A possibilidade de realizar provas em veículos próprios ou de instrutores autônomos também já foi adotada no Estado. Embora não haja exigência de identificação visual nos carros, muitos profissionais passaram a sinalizar os veículos por segurança.

Mesmo sem estatísticas completas sobre reprovação, o Detran classifica a mudança como um retrocesso na educação para o trânsito. A preocupação cresce diante dos números de acidentes. Em abril, o Rio Grande do Sul registrou 511 mortes no trânsito. De acordo com o órgão, 90% dos casos envolvem falhas humanas, como excesso de velocidade, consumo de álcool e ultrapassagens proibidas.

Autoridades alertam que o trânsito é um espaço coletivo e que a formação do condutor exige preparo técnico e responsabilidade. A flexibilização, dizem, pode comprometer a segurança e ampliar riscos nas vias.

O Detran orienta candidatos a buscarem instrutores cadastrados oficialmente e a verificarem condições de segurança dos veículos, como a presença de duplo comando. A recomendação também inclui cautela na escolha do curso, já que o custo mais baixo pode refletir menor qualidade na formação.

As consequências das mudanças devem aparecer de forma mais clara a partir de 2027, quando uma nova geração de motoristas, formada sob as regras atuais, estará plenamente inserida no trânsito. Até lá, o órgão promete monitorar os efeitos e reforçar campanhas educativas, como o Maio Amarelo, voltadas à redução de acidentes.

 

Tags: Centros de Formação de Condutores, DetranRS, Rio Grande do Sul, Trânsito