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Força-tarefa atua no IML do Rio após megaoperação com recorde de mortes

Ação contra o Comando Vermelho deixou ao menos 117 mortos e 113 presos; investigação continua

Mais da metade dos cadáveres recolhidos após a megaoperação no Rio de Janeiro já passou por necropsia no Instituto Médico Legal (IML). O balanço parcial, divulgado nesta quinta-feira (30) pela Polícia Civil, confirma 117 mortos e 113 presos, entre eles 33 suspeitos de outros estados, como Amazonas, Ceará, Pará e Pernambuco. A força-tarefa segue em andamento para identificação dos corpos.

Força-tarefa atua no IML do Rio após megaoperação com recorde de mortes. Foto: Tomaz Silva /Agência Brasil.
Força-tarefa atua no IML do Rio após megaoperação com recorde de mortes. Foto: Tomaz Silva /Agência Brasil.

Devido à grande quantidade de mortos, uma equipe reforçada com peritos de outras cidades atua no IML da capital fluminense. Nenhum dos suspeitos teve o nome divulgado até o momento.
As famílias das vítimas estão sendo atendidas em um prédio do Detran, ao lado do instituto. A Polícia Civil informou que ainda não há previsão de liberação dos corpos.

A investigação sobre o confronto é conduzida pela Delegacia de Homicídios da Capital, que busca esclarecer as circunstâncias das mortes durante a operação considerada a mais letal da história do país.

Quatro agentes morreram em confronto

Entre as vítimas confirmadas estão quatro agentes de segurança, dois policiais civis e dois militares do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). Os sargentos Cleiton Serafim Gonçalves, de 40 anos, e Heber Carvalho da Fonseca, de 39, serão sepultados nesta quinta-feira. Gonçalves deixa esposa e filhos; Fonseca, esposa e uma filha. Os policiais civis mortos foram enterrados na quarta-feira (29).

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Megaoperação envolveu 2,5 mil agentes

A ação, chamada Operação Contenção, mobilizou cerca de 2.500 agentes das forças de segurança para cumprir mandados de busca e apreensão em comunidades dos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio.

Mapa de atuação das autoridades policiais na operação

O principal alvo era Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, apontado como o líder do Comando Vermelho (CV) em liberdade. Segundo as autoridades, ele conseguiu escapar.

A operação é resultado de um ano de investigações conduzidas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, com o objetivo de desarticular a cúpula do CV.

Retirada de corpos e investigação paralela

Ao menos 70 corpos foram recuperados por moradores na região da Penha entre a noite de terça (28) e a manhã de quarta-feira (29). A Polícia Civil abriu inquérito para investigar quem retirou os corpos da mata. O secretário de Segurança Pública, Felipe Curi, afirmou que as pessoas envolvidas poderão responder por fraude processual, pois alguns cadáveres teriam sido encontrados sem as vestes originais, que seriam camufladas.

Armas, drones e confronto

Durante a operação, 118 armas de fogo foram apreendidas, incluindo 91 fuzis, 26 pistolas e um revólver, um dos maiores volumes já registrados em uma única ação policial no estado. Segundo relatos de agentes, criminosos usaram drones para lançar explosivos e atacaram as forças de segurança. Imagens mostram suspeitos fugindo em fila indiana pela Vila Cruzeiro, e barricadas formadas com veículos queimados foram erguidas em diversas áreas da cidade em retaliação à operação.

Uso de câmeras corporais e investigação sobre imagens

O secretário da Polícia Militar, Marcelo de Menezes, afirmou que todas as exigências da ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) foram cumpridas, incluindo o uso de câmeras corporais pelos policiais. Contudo, parte das imagens pode ter se perdido devido ao esgotamento das baterias, que duram cerca de 12 horas. A operação começou a ser preparada por volta das 3h de terça-feira, com as tropas em movimento a partir das 5h.

Contexto e repercussão

A megaoperação foi deflagrada para conter o avanço de facções criminosas e recuperar territórios sob domínio do tráfico. O episódio reacendeu o debate sobre o uso da força policial em áreas urbanas densamente povoadas e o cumprimento das normas impostas pelo Supremo Tribunal Federal para operações em comunidades. Autoridades afirmam que a ação foi necessária diante da escalada da violência e da presença de grupos armados fortemente estruturados.