O presidente da Comissão de Agricultura da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, Zé Nunes (PT) afirmou que 2026 será marcado por debates sobre diversificação produtiva, pedágios e o futuro da fumicultura. A declaração ocorreu após agenda em Camaquã, onde foi concluída a perfuração de um poço que levará água a 35 famílias da localidade de Paraíso.

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Segundo o deputado, o Estado vive concentração crescente na lavoura da soja. Hoje, o grão é o principal produto de exportação gaúcho. O segundo é a folha de tabaco. Dados da comissão indicam retração em outras cadeias, como feijão, leite e ovinocultura. O rebanho ovino caiu de 13 milhões para 3 milhões de cabeças desde os anos 1990.
A produção de leite também encolheu. Há dez anos, o Estado tinha cerca de 84 mil produtores. Hoje, são aproximadamente 28 mil. A queda diária chega a 1 milhão de litros, conforme levantamento da comissão.
Diante do cenário, a Frente Parlamentar da Agricultura Familiar será lançada no dia 18. O grupo pretende discutir políticas públicas que garantam estabilidade e preservem a diversidade produtiva. Entre os temas estão fruticultura e o uso do herbicida 2,4-D, alvo de controvérsia por impactos em culturas como uva, maçã e oliva.
Fumicultura e mercado externo
O deputado também integra a Frente Parlamentar de Apoio aos Fumicultores. Ele afirmou que há exagero no discurso de que a produção está ameaçada por acordos internacionais de saúde. O Brasil é signatário de tratado que busca reduzir o número de fumantes, mas não prevê restrição à produção.
Após aderir ao acordo, o País ampliou a produção anual de tabaco. O volume, que era de cerca de 350 milhões de quilos, passou para uma faixa entre 600 e 700 milhões. Em alguns anos, chegou a 900 milhões.
A atividade envolve cerca de 70 mil famílias no Estado. Em municípios como Amaral Ferrador, Chuvisca e Dom Feliciano, o setor responde por até 80% da economia local.
Sobre o risco de tarifas dos Estados Unidos, o deputado avaliou que o impacto é limitado. O país compra cerca de 8% do tabaco exportado pelo Brasil. Ele destacou que o produto gaúcho é vendido para dezenas de mercados, o que reduz a dependência de um único comprador.
Há, porém, preocupação com o avanço da nicotina sintética. O produto dispensa o uso da folha do tabaco e pode afetar a demanda no longo prazo. Para o parlamentar, o tema exige debate regulatório.
Pedágios e concessões
Outro ponto abordado foi o fim do contrato da concessionária Ecovias Sul, responsável pelo Polo Pelotas. O contrato termina na próxima terça-feira (03). A expectativa é discutir novo modelo de concessão, com tarifas menores e contrapartidas claras.
Ele criticou a tarifa quilométrica média atual, considerada alta. Também manifestou preocupação com a licitação de novas praças estaduais, que podem repetir valores semelhantes aos praticados hoje.
Desenvolvimento regional
O deputado citou ainda a retomada do Polo Naval de Rio Grande como fator positivo para a região sul. Segundo ele, a geração de empregos no setor metalmecânico pode reduzir a dependência econômica de atividades específicas.
A Comissão de Agricultura deve apresentar o Observatório da Agropecuária Gaúcha 2025, com indicadores dos últimos dez anos. O documento reúne dados sobre produção, exportações e desempenho das principais cadeias do Estado.
Ao final da entrevista, o parlamentar defendeu tranquilidade aos produtores de tabaco. Disse que o setor tem mercado consolidado e que o debate deve se basear em dados, não em alarmismo.


