A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) autorizou a Refinaria Riograndense, em Rio Grande, a processar continuamente matéria-prima 100% renovável e a comercializar o Bio-GL, equivalente renovável do gás liquefeito de petróleo (GLP), utilizado como gás de cozinha. A decisão, divulgada na terça-feira (26), consolida o avanço do projeto de biorrefino desenvolvido pela companhia em parceria com a Petrobras.

A autorização permite que a Refinaria Riograndense opere de forma permanente com insumos renováveis em sua unidade de FCC (Craqueamento Catalítico Fluido), além de vender comercialmente o Bio-GL produzido a partir de fontes vegetais. Segundo a ANP, as liberações foram concedidas após a comprovação técnica dos testes realizados ao longo dos últimos três anos.
Projeto começou em 2023 com tecnologia inédita
O projeto da Biorrefinaria Riograndense teve início em maio de 2023, quando a unidade se tornou a primeira refinaria do mundo a processar 100% de óleo vegetal em uma unidade de FCC. A operação resultou na produção de combustíveis e insumos petroquímicos, como propeno e bioaromáticos, benzeno, tolueno e xileno (BTX).
A tecnologia utilizada foi desenvolvida pelo Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação (CENPES) da Petrobras. Esse primeiro teste levou à produção e à comercialização do primeiro Bio-GL do Brasil, marco reconhecido pelo setor de energia.
Receba todas as notícias da Acústica no seu WhatsApp tocando aqui!
Projeto da biorrefinaria avançou em 2025
Em fevereiro de 2025, a Refinaria Riograndense realizou um segundo teste, desta vez com o coprocessamento de carga mineral contendo 5% de bio-óleo. O insumo é classificado como matéria-prima avançada de biomassa não alimentar e também foi processado na unidade de FCC.
Com esse resultado, a refinaria passou a ser a primeira do país a produzir combustíveis com conteúdo celulósico, a partir de madeira ou resíduos agrícolas. O avanço elevou o patamar do biorrefino no Brasil e ampliou o potencial de substituição de derivados fósseis por fontes renováveis abundantes.
O terceiro teste foi realizado entre 1º e 5 de dezembro de 2025, quando a unidade de FCC voltou a operar com carga 100% renovável. Na ocasião, foram processados óleo de soja e TCO (Technical Corn Oil).
Segundo a Refinaria Riograndense, os três testes contaram com equipes técnicas da companhia e da Petrobras. Os resultados confirmaram a maturidade tecnológica do projeto e abriram caminho para a operação plena com carga totalmente renovável, prevista para o primeiro trimestre de 2026.
Investimento prevê diesel verde e SAF
O projeto completo da Biorrefinaria Riograndense inclui a produção de combustíveis avançados pela rota HEFA (Ésteres e Ácidos Graxos Hidroprocessados). A tecnologia permite a fabricação de Diesel Verde (HVO), Combustível Sustentável de Aviação (SAF) e Nafta Verde.
O plano prevê a instalação de unidades com capacidade de processamento anual de 800 mil toneladas de matéria-prima renovável, como óleos vegetais, gorduras animais e óleo de cozinha usado (UCO). O investimento estimado é de US$ 950 milhões na planta de Rio Grande, no sul do Estado.
A decisão final de investimento está prevista para o primeiro semestre de 2026. Caso seja aprovada, a execução do projeto deve começar ainda em 2026, com início de operação estimado para 2028.
Refinaria tem origem no início do refino no Brasil
A Refinaria de Petróleo Riograndense iniciou suas operações em 1937, na cidade de Rio Grande, marco do início do refino de petróleo no Brasil. Atualmente, a companhia tem como acionistas a Petrobras, a Braskem e a Ultrapar.
Ao longo de 88 anos, a refinaria produziu e comercializou derivados como gasolina, óleo diesel, nafta petroquímica, óleo combustível e GLP. Sua atuação esteve concentrada principalmente no Rio Grande do Sul. A capacidade instalada é de 17 mil barris por dia.
Com a autorização da ANP, a Refinaria Riograndense passa a integrar o grupo de instalações industriais habilitadas a operar com combustíveis renováveis em escala comercial, em um movimento alinhado à transição energética e à redução de emissões no setor de combustíveis.



