O Hospital Nossa Senhora Aparecida (HNSA) passa por uma reformulação interna após denúncias envolvendo contratações, salários e a saída de integrantes do alto escalão. As mudanças foram detalhadas nesta sexta-feira (30) pelos diretores Endrigo Cunha, operacional, e Cláudio Cruz, de planejamento, em entrevista à Rádio Acústica FM. Segundo a atual direção, as medidas incluem demissões, revisão de contratos e o início de uma apuração interna.

Entre os episódios que geraram questionamentos na comunidade estão a demissão da superintendente do hospital e a saída de membros da diretoria. Deixaram seus cargos o secretário, que também foi exonerado da função de procurador-chefe da Prefeitura de Camaquã, o vice-presidente e a vice-secretária. De acordo com a direção, as saídas ocorreram por insatisfações individuais.
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O HNSA é gerido pela Fundação Assistencial e Beneficente de Camaquã (Funbeca), instituição filantrópica cuja diretoria é eleita e atua de forma voluntária. Já a diretoria do hospital é nomeada pela fundação, recebe remuneração e não passa por processo eleitoral. A Funbeca conta com mantenedoras, entre elas a Prefeitura de Camaquã.
“Quebra de confiança” motivou outras mudanças no HNSA
Segundo o diretor operacional, houve problemas na condução interna. De acordo com Endrigo Cunha, ocorreu “quebra de confiança” em alguns setores.
“Ocorreram contratações sem o conhecimento da presidente”, afirmou Endrigo em entrevista à Rádio Acústica FM. Segundo o diretor, quando as situações chegaram ao conhecimento da presidente Amanda Oro, houve “um desconforto”, o que levou às primeiras decisões administrativas.
As recentes demissões, incluindo a da superintendente, teriam gerado uma economia mensal de cerca de R$ 60 mil para o hospital.
Conflitos internos e reclamações de funcionários
O diretor de planejamento, Cláudio Cruz, afirmou que a superintendente demitida levou profissionais de sua confiança ao assumir o cargo. “A superintendente, quando chegou, trouxe pessoas do conhecimento dela”, explicou. Segundo o diretor, as contratações provocaram conflitos internos.
“Muitas pessoas se queixavam da má condução da superintende com os funcionários”, disse. Ainda conforme o diretor, com a saída da superintendente, outros profissionais também deixaram a instituição, e “todas as saídas são justificadas”.
Apuração interna e denúncias sobre salários
A direção confirmou que será iniciada uma investigação interna para apurar denúncias. Segundo Cláudio Cruz, estão sendo analisados relatos sobre um possível “sistema” de blindagem de informações, que impediria que dados relevantes chegassem à presidente da fundação, além de supostos beneficiamentos em cargos e salários.
De acordo com o diretor, a superintendente demitida recebia cerca de R$ 15 mil brutos e tentou elevar a remuneração para R$ 26 mil, decisão que não foi efetivada. Segundo os diretores, após o tema chegar ao conhecimento da presidente Amanda Oro, foram adotadas medidas como demissões e alterações administrativas.
Reunião com mantenedoras e compromisso com transparência
Na última terça-feira (26), após as demissões, a presidente da Funbeca, Amanda Oro, reuniu-se com representantes de 14 mantenedoras na sede da Associação Comercial e Industrial de Camaquã (ACIC). O encontro teve como objetivo explicar as mudanças em curso e reafirmar o compromisso da fundação com a transparência na gestão do hospital.
Amanda Oro, atual presidente, atuava na Procuradoria Municipal e pediu exoneração após o Tribunal de Contas do Estado denunciar possível incompatibilidade de funções. Em resposta à Rádio Acústica FM, Amanda Oro confirmou que sua saída da Procuradoria está relacionada a denúncia de incompatibilidade, optando deixar o cargo na administração municipal para seguir com o cargo voluntário na direção do hospital. O pedido de exoneração partiu da própria advogada para evitar possíveis prejuízos na gestão do HNSA. De acordo com interlocutores, Amanda Oro pode assumir outro cargo público nas próximas semanas, mas na Câmara de Vereadores como assessora jurídica.




