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Impasse com a União Europeia ameaça exportações do agro gaúcho

Renan Hein, assessor de relações internacionais da FARSUL, detalha dados da instituição e cobra agilidade diplomática para evitar prejuízos milionários no agro em 2026

Na edição do programa Primeira Hora desta sexta-feira (12) recebeu Renan Hein, Assessor de Relações Internacionais da FARSUL para discutir o impasse comercial entre o agronegócio brasileiro e a União Europeia. O convidado alertou que o entrave não está na qualidade do produto nacional, mas na falta de agilidade do governo em certificar os processos. Hein foi categórico sobre a eficiência do produtor diante da lentidão burocrática.

Impasse com a União Europeia ameaça exportações do agro gaúcho
Foto: Reprodução

Protecionismo e o “jogo de xadrez”

O especialista apontou que o mercado europeu age com forte protecionismo, utilizando exigências técnicas para criar barreiras comerciais artificiais ao Brasil. Ele lamentou o fato de as autoridades brasileiras terem ignorado os avisos prévios sobre as novas regras, emitidos ainda em 2024, deixando o país vulnerável no cenário internacional: “Existe uma má vontade do lado europeu; eles são muito defensivos e protecionistas no agro. Tudo o que eles puderem encontrar de problemas, o ‘pelo na casca do ovo’, eles vão utilizar para suspender benefícios tarifários ou inviabilizar exportações. São pelo menos dois anos que o governo brasileiro sabia que precisava se adaptar e não fez o serviço de casa. Nessa questão, a gente está jogando damas e eles estão jogando xadrez; eles vão nos engolir se a gente ficar deixando brecha”, enfatiza Hein.

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Agro e as exigências de mercado

Diante das críticas sobre a assimetria comercial — onde produtos da Europa entram facilmente no Brasil enquanto o agro brasileiro enfrenta barreiras —, Hein explicou que a modernização documental é o único caminho. O analista reforçou que sistemas nacionais como o CAR e o Sismov precisam evoluir para o padrão internacional se o país quiser manter seus compradores ricos: “O Brasil é muito competitivo na produção, mas precisa se tornar igualmente competitivo na documentação, rastreabilidade e governança regulatória. Nós temos sistemas como o CAR e o Sismov, mas os europeus não os reconhecem como 100% funcionais. Como é um mercado rico e exigente, é do nosso interesse nos adequarmos ao sistema deles, por mais que possa passar do limite do razoável. Quem quer vender tem que se adequar, infelizmente essa é a realidade”.

Prejuízos severos no RS

Ao encerrar, o convidado trouxe dados alarmantes de uma nota técnica da FARSUL, mostrando que o bloqueio já afeta gravemente as vendas gaúchas de carne e mel em 2026. Diante do risco financeiro, ele cobrou ações imediatas para reverter o cenário e proteger os empregos no campo: “Calculamos que produtos de origem animal representam 6,2% de tudo o que o agronegócio gaúcho exportou para a União Europeia no ano passado, o que soma 133 milhões de dólares. De janeiro a maio de 2026, esses produtos comprometidos já chegam a 16% do que exportamos no período, superando os 133 milhões de dólares do ano anterior inteiro”, pontua Renan.