O urologista Rafael Fraga participou da programação da Rádio Acústica FM nesta terça-feira (11) e abordou um tema que preocupa especialmente a população idosa: as infecções urinárias. Durante a entrevista, o médico explicou os fatores que tornam homens e mulheres com mais de 65 anos mais suscetíveis ao problema e orientou sobre formas de prevenção.

Segundo Fraga, cerca de metade dos idosos pode apresentar infecção urinária em algum momento da vida. Entre as principais causas estão alterações hormonais relacionadas ao envelhecimento, mudanças na estrutura da bexiga e da uretra, além da redução dos mecanismos naturais de proteção contra bactérias.
Nas mulheres, o especialista destacou que a diminuição hormonal provoca ressecamento da uretra e da vagina, facilitando a entrada de bactérias na bexiga. Já nos homens, o crescimento da próstata e a redução da secreção prostática, que possui efeito bactericida, contribuem para o aumento dos casos.
Outro fator importante apontado pelo médico é a baixa ingestão de água. Conforme Fraga, os idosos costumam perder a sensação de sede com o avanço da idade, o que favorece a desidratação e dificulta a eliminação de bactérias através da urina.
“O ideal é ingerir pelo menos dois litros de água por dia. A água funciona como uma limpeza da bexiga, ajudando a eliminar as bactérias que eventualmente entram no trato urinário”, explicou.
O urologista também alertou que os sintomas da infecção urinária em idosos nem sempre são evidentes. Além de alterações no odor da urina, presença de sangue e dificuldade para urinar, sinais como perda de apetite, redução da mobilidade, diminuição da quantidade de urina e episódios de incontinência urinária podem indicar a presença da doença.
Durante a entrevista, Fraga ressaltou ainda que as mulheres idosas apresentam cerca de quatro vezes mais infecções urinárias do que os homens da mesma faixa etária. Entre os motivos estão a maior incidência de incontinência urinária, deficiência hormonal e quadros frequentes de constipação intestinal.
Sobre o tratamento, o especialista destacou que cada caso deve ser avaliado individualmente. Além do uso de antibióticos quando necessário, podem ser indicadas medidas para melhorar a imunidade, tratar alterações prostáticas nos homens e corrigir problemas ginecológicos e anatômicos que favorecem o surgimento das infecções.
Por fim, Rafael Fraga reforçou uma orientação simples para monitorar a hidratação: observar a cor da urina. “A urina deve ser clara. Quando está muito escura ou concentrada, pode indicar pouca ingestão de líquidos ou até mesmo um problema de saúde que merece atenção”, concluiu.



