hantavírus

Infectologista esclarece que surto de hantavírus tem baixo risco de transmissão global

Dr. Alessandro Pasqualotto, coordenador científico da Sociedade Brasileira de Infectologia, explica por que surtos em cruzeiros são isolados e não representam ameaça às áreas urbanas brasileiras

Na manhã desta quarta-feira (13), o programa Primeira Hora recebeu o infectologista Alessandro Pasqualotto, coordenador científico da Sociedade Brasileira de Infectologia, para desmistificar o recente pânico global em torno do hantavírus. Diante de surtos noticiados em navios de cruzeiro e relatos de óbitos, o especialista esclareceu que, embora a doença seja grave, ela não possui o perfil de contágio necessário para uma crise sanitária de proporções mundiais.

Infectologista esclarece que surto de hantavírus tem baixo risco de transmissão global
Foto: Ilustrativa

O mito da transmissão

Um dos pontos de maior temor da população é a possibilidade de o vírus ser transmitido entre humanos, algo que Pasqualotto classifica como um evento excepcional. Ele explicou que a maioria das cepas é transmitida exclusivamente pelas excretas de ratos do campo, mas confirmou a existência da variante “Andes”, típica da Argentina, que possui capacidade de contágio inter-humano em condições de aglomeração. “Ele requer uma exposição prolongada em um ambiente fechado. Eu apontaria esse vírus como um vírus de muitíssimo baixo risco de transmissão global”, tranquilizou o convidado.

Desafios do diagnóstico

Apesar da baixa transmissibilidade, a preocupação médica reside na agressividade do quadro clínico. Com uma taxa de letalidade que varia entre 30% e 40%, o hantavírus evolui rapidamente de sintomas gripais para complicações severas, como hemorragia pulmonar e choque cardíaco. O infectologista alertou que não existe tratamento específico e que o diagnóstico depende de testes especializados, geralmente realizados em laboratórios centrais como o Lacen. “A suspeita tem que acontecer quando houver a pergunta por parte da equipe de saúde sobre a exposição a esses camundongos e ratos”, ressaltou Pasqualotto.

Receba todas as notícias da Acústica no seu WhatsApp tocando aqui!

Distância da COVID-19

O médico reforçou que o risco é inexistente em centros urbanos e que a prevenção deve ser focada no manejo correto de celeiros e propriedades agrícolas, com o uso de água sanitária e ventilação adequada. Ao ser questionado sobre a possibilidade de uma nova pandemia semelhante à da COVID-19, Pasqualotto foi categórico ao descartar o cenário: “Diria que não. A resposta mais simples é não”. Ele reiterou que, enquanto o mundo lida com surtos anuais de influenza que poderiam ser evitados com vacinação, o hantavírus permanece como uma ameaça de baixa frequência, restrita a contextos ecológicos específicos e sem capacidade de adaptação para um contágio em massa entre a população urbana.