A Corregedoria-Geral da Brigada Militar (BM) encerrou o Inquérito Policial Militar (IPM) sobre a morte do agricultor Marcos Nornberg, ocorrida em 15 de janeiro, em Pelotas. A investigação concluiu que não houve crime na conduta dos policiais, embora a residência tenha sido invadida durante a madrugada, sem autorização judicial, e o morador tenha sido atingido por quase dez disparos. Os agentes entraram no sítio por acreditar, erroneamente, que o local servia de base para uma quadrilha de roubo de veículos.

Apesar da ausência de infração penal na visão da corporação, o relatório aponta erros graves no planejamento e na coleta de informações que antecederam a operação. Dos 18 policiais envolvidos, cinco devem sofrer sanções disciplinares, que podem chegar à expulsão da Brigada Militar. O documento será entregue nesta quinta-feira (2) ao comando da instituição e, na sequência, encaminhado à Justiça Militar, foro responsável por julgar atos administrativos e disciplinares de militares gaúchos.
Inquérito concluiu que Marcos não foi baleado enquanto caído
O inquérito também descartou a hipótese de execução, termo usado quando a vítima é morta sem chance de defesa após já estar dominada. A suspeita surgiu de áudios de câmeras de segurança, nos quais um sargento diz “mexeu a cabeça” antes de um último disparo isolado. No entanto, perícias técnicas indicaram que os projéteis de fuzil calibre 5.56 mm — munição de alta potência — não deixaram marcas no piso da casa após atravessarem os móveis.
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A ausência de impactos no chão foi o argumento central para concluir que Nornberg não foi baleado enquanto estava caído. Segundo a investigação, se o agricultor recebesse tiros em trajetória descendente (de cima para baixo) estando deitado, as balas fatalmente marcariam o pavimento. O relatório final sustenta que o morador foi atingido enquanto tentava se proteger atrás da mobília durante o confronto, e não em um ato de execução sumária.




